Opinião

O desafio dos educadores

Antônio Luiz Bianchessi
19/08/2008 -

O desafio da cidadania desinquieta apáticos e indiferentes, desinstala poderosos e “apoltronados” fantasiosos. Os alienados tornam-se peso bruto e indesejável na sociedade.

É suficiente  conscientizar-se de que promover mudanças radicais de atitude  na filosofia de vida e na consistência de certos valores, caracteriza o desafio do século?

O impasse resulta da carência de cidadania.Ser autêntico cidadão envolve aprendizagem transcendente de respeito universal pelo ser humano. Esse respeito coíbe  a invasão dos Espaços Vitais alheios, quando no exercício de nossos direitos e deveres.

Parece rotineiro brigarmos por aquilo que nem sempre nos pertence e esquecermos os deveres que nos alertam todos os dias.

O cidadão do mundo é o ser humano motivado pelo respeito à humanidade, independente da distância, dos obstáculos e dos desencontros.

A formação de valorosos cidadãos manifesta-se deficiente. O  verdadeiro cidadão do mundo não admite que milhões de seres humanos vivam à míngua e morram no lixo.

A educação vertical vigente forma verdadeiros cidadãos? Enquanto perdurarem os paradigmas externos como sustentáculos do sistema, as mudanças permanecerão restritas.

Necessitamos de seres humanos destemidos e valorosos para o exercício da cidadania.

A pergunta intrigante é: como formar verdadeiros cidadãos, cultos e emocionalmente,     maduros, para promover mudanças em prol de uma humanidade humanizada?

A verdadeira cidadania está ligada à Ética. Éthos, do grego, casa, morada. Eticamente saudável, seria   que cada ser humano  construísse casa própria.Três modalidades educacionais se julgam  modelos capacitados  para formar verdadeiros e valorosos cidadãos:.                        

1) EDUCADOR IMPOSITOR OU DEFINIDOR.  O educador determina que o educando construa a própria casa. Estabelece a  dinâmica, as estratégias, as dimensões e a localização da casa, o material selecionado e específico, adequação ao local, o dinamismo, o material,etc.   As bases estão sólidas e a casa  pronta. As cores atraem e o local satisfaz O educando, porém, sente-se frustrado. A casa não foi idealizada por ele. O projeto originou-se das idéias e do poder do educador O autoritarismo exige adesão às  determinações O educando não zelará pela morada, porque o estilo, a dinâmica impingida, e nem todas as normas e regimentos parecem viáveis. O educando deve pensar conforme paradigmas do educador. Se assumisse a morada, seria agressivo na convivência humana com a descoberta de seu anonimato na idealização da casa.

Em conseqüência, o educando não mantém a casa em ordem. A cidadania não representa significado para ele. Empregará, talvez, apenas 25% de suas potencialidades para o exercício da cidadania e para não desagradar, totalmente, ao educador.

2)    EDUCADOR SUPERPROTETOR..O educador compassivo e “generoso”sente penado educando. Coitado, está  “doentinho”. Não pode  construir sua casa. Necessita de ajuda.

A superproteção transforma-se na maior desqualificação do ser  humano. Predomina a imposição através do “agrade”.

O educando lamenta porque o presentearam com a casa. Está preocupado porque haverá um bem sob sua guarda. Tenta  tranqüilizar-se,  porque o educador proverá os cuidados necessários para protegê-lo e manter a  casa sempre atualizada.

Para o educando, a cidadania e a ética têm insignificante relevância.. A casa não lhe pertence.  Aproximadamente O% de suas potencialidades  estarão a serviço da casa.

3) EDUCADOR LIBERTÁRIO.

O educando decide construir sua casa. Elabora a planta, determina as estratégias, pesquisa os componentes, seleciona as técnicas adequadas, estabelece a convivência saudável no trabalho, estuda a viabilidade da casa e a funcionalidade em benefício da comunidade, etc.

Debate com o educador os pontos fundamentais da construção. Elimina, conscientemente, os materiais que podem não atender às estruturas básicas de sua casa. O educador faz-se presente como amigo, acolhedor, questionador, facilitador e nunca como impositor.

O educando sente-se feliz. A casa lhe pertence. Decidiu, conscientemente, pela edificação da casa. Estudou e analisou os componentes da construção.Tudo lhe pareceu adequado à construção confortável da casa. O educador aprova as decisões do educando.

O educando pode empregar 1OO% de suas potencialidades para o bom funcionamento de sua casa.O educando está consciente de que a manutenção do empreendimento tornou-se um grande desafio. Viver entre casas desmanteladas, desabitadas, antiquadas, ultrapassadas, alienadas, sem objetivos e sem sentido, torna-se um grande desafio de  humanização.

EDUCAMOS QUANDO:

1):adotamos os paradigmas internos. 2) a presença do educador for amorosa e participativa. 3)  o foco do educador for o educando. 4) eliminarmos a exaltação do erro e reforçamos os acertos. 5) o educador exerce a autoridade.6) adotamos limites conveniados. 7) a disciplina externa for sustentada pelo contrato 8)  motivamos através do desafio e do reconhecimento. 9)   implantamos convivência alegre e feliz.1O  acreditamos. 11) fomentamos a evolução das potencialidades. 12) incentivamos a criatividade.13) caminhamos de mãos dadas. 14)   permitimos que o educando cresça através de erros e acertos.15) acalentamos o desenvolvimento intelectual.16) adotamos a alfabetização emocional.17) nos alegramos com os sucessos. 18)  somos transparentes e acolhedores.19)  concordância entre o falar e o agir. 2O vibramos por uma causa nobre. 21)  somos humanizados. 22) partilhamos. 23)   nos preparamos para a compreensão e  bom atendimento à Geração Y.



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