Opinião

O desafio dos educadores

Redação
10/01/2008 -

* Antônio Luiz Bianchessi

As nuvens sombrias recentemente ampliaram suas dimensões. Cientistas denunciam a progressão imprevisível e incontrolável do degelo. Nossa capacidade mental e emocional pode avaliar as conseqüências mundiais com a realização das previsões. Poderosos, com subterfúgios egoístas, fingem compreensão do problema mas não aderem a compromissos com a eliminação dos principais focos poluidores. Já acenamos para o medo fantasioso como fator patológico, porque pode ampliar o estacionamento humano, ou promover desencontros belicosos regionais e internacionais. O desequilíbrio emocional assume proporções preocupantes. A humanidade não se encontra, psicologicamente, segura para enfrentar semelhante desafio. A capacidade de resposta parece inferior às exigências da natureza. O retorno das agressões que impusemos à Natureza assume violência gigantesca. São bilhões de toneladas de tóxicos, que deterioram, continuamente, a atmosfera. Sustentam a incapacidade humana de resposta adequada: o egoísmo, a ganância, a ânsia de poder, o jogo sujo, o desequilíbrio emocional e mental, a prática constante do uso irracional da natureza etc. Embora com noção indefinida daquilo que nos aguarda, podemos afirmar que a Educação Vertical vigente é sustentáculo da calamidade que enfrentamos. Para comprovar minha assertiva, é importante diferenciar, embora de maneira superficial, instrução de educação.

Instruir seria proporcionar, ao educando, oportunidades de escolha consciente da aprendizagem, para capacitar-se ao exercício da profissão. Educar pretende proporcionar, ao educando, oportunidades de realização das melhores escolhas, fundamentado em paradigmas internos, consciente de sua responsabilidade moral e ética, no exercício da cidadania, para uma convivência humanizada

Aapatia e a indiferença tendem a abrandar a própria veemência. Manifesta-se interesse nacional pelo aperfeiçoamento do ensino público. Há esforço generalizado na implantação de cursos técnicos, para atender à demanda por profissionalismo. O conhecimento e a tecnologia são fundamentais na revolução saudável de um país. Felizmente, há certa conscientização de que a carência de tecnologia reduz, drasticamente, as probabilidades de progresso. A divergência conflituosa reside na sistemática educacional. Tradicionalistas, conservadores, falsos modernistas, fundamentalistas etc. permanecem ferrenhos defensores do status quo. Qualificam-se como senhores da verdade. A capacidade de mudanças radicais restringe-se a fatores secundários. A ânsia de aparecer e a sofisticada ganância de poder congregam forças belicosas disfarçadas em desejos saudáveis de colaborar. A Educação Vertical vigente, objeto de 50 anos de estudo e pesquisas, caracteriza-se pela adoção de paradigmas externos. A base sólida de sua manutenção, reside em: Educar é conduzir a partir do educador. Deduzimos que a força da Educação Vertical sustenta-se em paradigmas externos. Infelizmente, os condicionamentos, na prática, determinam, inclusive, o modo humano de viver. Quando os paradigmas predominantes forem negativos e de procedência externa, a absorção de normas e valores positivos restringe-se à diminuta parcela. Na ausência do educador, o educando permite-se comportamentos contrários aos legados pelo sistema. Os condicionamentos negativos, como injunção, podem marcar, seriamente, o educando. Como exemplo, citamos um pai que propalava, na família e na comunidade, a honestidade, a moral rígida e a ética como forma de manutenção de uma convivência harmonizada. Certo dia, ao retornar do emprego, anunciou o Natal antecipado. Saí adiantado da empresa, porque o gerente ausentou-se, e um colega meu comprometeu-se a bater o meu cartão. Parei no supermercado. O horário favoreceu-me e surrupiei duas caixas de bombons. Filhos, nesse Natal, celebremos nossa união e a honestidade, distintivos de nossa família. Honestidade, moral e ética etc. impostas sem o assentimento do educando, ao surgir ocasião propícia, somem do mapa da efetividade familiar, escolar, empresarial, etc. O desencontro entre o falar e o agir do educador e dos que lideram a sociedade transforma-se em vácuo profundo, na retenção, manutenção e vivência de valores, que devem nortear a convivência humana. É privilégio inestimável e valioso para o educando, se o educador for honesto, ético e merecedor de respeito. O ser humano finda seus dias - o modelo, porém, permanece. O modelo sempre será um alerta invisível, que acalenta energia na superação de desafios. Educador, você encanta a muitos desencantados com o desencanto da convivência humana, e promove vida encantadora, com o encanto de sua presença, que encanta.

* É filósofo, educador, consultor e escritor



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