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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 17/02/2012 00:00:00

Novos Desafios para uma Saúde Velha

Alessandri Adriano, estudante de Direito e servidor público municipal

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Já se tornou corriqueira a alternância entre boas e desagradáveis citações aos serviços do Hospital Municipal, através de cartas dos leitores e entre as pessoas nas ruas. De modo resumido, fala-se que aquele estabelecimento é mal administrado, que médicos são contratados e não honram o nobre destino de sua formação, que o atendimento é ‘privilegista’, etc. Em relação ao serviço de emergência, um dos que o Hospital disponibiliza, a sensação comum é que ser bem atendido não passa de um golpe de sorte. Mas, como não fosse isso um motivo de apreensão bastante, e razão de não economizarmos esforços para a superação, é bem mais grave estar aí demonstrada a ineficácia e o desaparelhamento da Atenção Básica, esta que é o segmento da Saúde que realmente promove e mant ém a integridade das pessoas, para que elas não precisem se entulhar nas portas de Hospitais.
Relegar à periferia do Sistema a prevenção e a assistência a pacientes crônicos, como diabéticos e hipertensos, demonstra um avançado estágio de ‘medicalização’ - e do mau tipo - onde o poder resolutivo das ações e programas de Saúde fica restrito a alguns doutores e chefões, muitas vezes resignados, desarmonizados com as necessidades mais básicas das comunidades e com o próprio programa de governo intencionado pelo prefeito.
O resultado dessa centralização de enfoque no sistema curativo (hospital) e a desintegração da rede de unidades básicas (postos) só poderiam sufocar, como se nota, a Policlínica e a Emergência, fazendo que bons profissionais, mal aproveitados, sejam confundidos no turbilhão de críticas. Imagine o quanto isso é desmotivador. No entanto, neste ponto chego aonde pretendo com esta inevitável introdução.
O vácuo deixado na atenção básica tem desarmado a sociedade de
perceber, na raiz, o que são as grandes epidemias do nosso tempo: o abuso precoce de drogas, como ‘crack’ e bebidas alcoólicas, e ainda a gravidez indesejada na adolescência.
Aqui não se trata mais do quintal alheio, mas de problemas reais de nossas comunidades, vistos nas praças e no entorno das escolas. E alguns perguntarão o que a Saúde tem com isso. Tudo - uma análise completa responde.
Bairros como Cem Braças, Capão, Vila Verde e Rasa têm apresentado diversos episódios de infiltração de drogas ilícitas entre jovens e adolescentes. O clima de liberalidade, típico do lugarejo que atraiu Brigitte Bardot, continua a exalar suas influências. Não é difícil encontrar menores fumando o ‘inofensivo’ Gudang às claras, sem o esclarecimento de que este fumo apresenta, em média, três vezes mais alcatrão, nicotina e monóxido de carbono que os cigarros comuns. Também é tradicional em Búzios, este congraçamento latino americano, sentir a marijuana sendo queimada apenas com um pouco mais de sutileza, por quem pode pagar. Já nas periferias, produzidas pelo esquecimento público histórico, a desgraça maior é o ‘crack’, com seus terríveis danos psicossociais e patolÍ gicos. Quanto a esta droga, o que a torna mais maligna e sedutora é o baixo custo e o apelo jovem, razão porque estamos diante de praga que não pode permanecer à mercê de uma Saúde Pública refém de vaidades, implantada por método de tentativa e erro.
A abordagem atual do consumo de drogas tem-no considerado um problema de Saúde Pública, o que nos leva a perguntar com este texto, o que estamos esperando: que o caos bata às portas do hospital e dos presídios? Ou vamos envolver a sociedade no planejamento de medidas que espalhem a ação preventiva, levando-as aos lugarejos mais remotos, às comunidades mais carentes?
O certo é que a Saúde Pública, desprovida de um Sistema de Atenção Básica, centralizadora e extremamente medicalizada, está despreparada para os desafios que tiram o sono de muitos pais e professores, e produzem uma onda de insegurança na sociedade inteira.
 

Colaborador: Redação

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