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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 04/02/2012 00:00:00

Puxadinhos, uma desgraça nacional

por Eduardo Almeida

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Realmente o assunto da semana seria o desabamento do prédio no Rio, ou a morte no Egito, mas na realidade tudo ou quase tudo que acontece nos dias de hoje  é fruto de puxadinhos em todo o mundo.
Sabemos que o Brasil está no topo da economia mundial e prova disto é São Paulo e seus prédios maravilhosos como, por exemplo, na área da ‘Ponte Espraiada’ na Marginal Pinheiros,  com prédios de fazer inveja a New York.  Bairros como Vila Olímpia e Moema, também exibem prédios super. Mas estes locais eram bairros de casas velhas e terrenos que propiciaram espaço para construir esses prédios.
Entretanto existem empreendimentos de sucesso onde não havia lugar para expandir para os lados; daí tiveram de expandir para cima, ou seja, tiveram de fazer puxadinhos. Um exemplo está em um dos maiores empreendimento de saúde das Américas, o Hospital Sírio Libanês, no bairro do Bexiga no Centro de São Paulo.
O Sírio, como sabemos, trata do Lula, da Dilma, tratou do José Alencar, do Sarney, etc. Seu plano de saúde tem convenio com o Supremo Tribunal Federal, com o Superior Tribunal de Justiça, com o Senado Federal, enfim com todo o poder do Brasil, tanto publico como particular. Seu heliporto tem movimento maior do que muita empresa publica. A toda hora um helicóptero desce trazendo um doente ilustre. Ontem mesmo chegou a Ministra do Planejamento, e toda hora é isso.
E por isso o hospital não teve alternativa senão, crescer para os lados... Quando não deu mais, cresceu para cima. Obviamente que esses puxadinhos não são a solução ideal. O projeto original não previa o acréscimo de mais cinco ou dez andares. A parte eletro hidráulica puderam ser refeitas, mas os corredores, por exemplo, não foram feitos para um tamanho aumento .
Hoje em dia os doentes ao saírem dos quartos para o centro de cirurgia e outros exames, não são mais transferidos da cama hospitalar para a maca. Hoje em dia é o leito que vai levando o doente. Daí nos puxadinhos: os corredores não foram feitos para as novas técnicas e por isso você vê, a cama maca chegando, e, no corredor, todo mundo se encolhendo.
E isso não é só no Sírio Libanês, em São Paulo. No Rio, o Hospital São José e também no Pró Cardíaco, ambos de Botafogo, também ocorreram acréscimos aos projetos originais e outros puxadinhos surgiram do nada.
Com esses prédios crescendo verticalmente, a rota de fuga fica cada vez mais difícil. Por isso a conseqüência de um crescimento urbano desordenado acaba sendo uma amarga lição para os governantes. Veja no Rio de Janeiro; o puxadinho fez o prédio vizinho ao Teatro Municipal despencar levando mais dois prédios com ele, o que produziu duas dezenas de mortos.  Nas comunidades, antigas favelas, o que não faltam são puxadinhos. Em caso de incêndio, o Corpo de Bombeiros e ambulâncias não conseguiriam passar em função de tanto ‘puxa parede pra cá’ e ‘estica muro pra lá’;  O puxadinho é democrático, está em todas as classes. Agora mesmo no Aeroporto de Viracopos, construíram um puxadão, que já se tornou ponto de referencia, nos alto falantes dizem: embarque no portão 5 B, no puxadão.  Acredite se quiser, esse é o Brasil novo em ritmo de puxadinho.
 

Colaborador: Eduardo Almeida

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