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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 04/02/2012 00:00:00

"Eu tenho o calor do povo" ? Flavio Machado

Ex-vereador afirma que faltam coragem e determinação na condução dos assuntos legislativos da Cidade

215637O ex-vereador Flávio Machado aponta o alto grau de informalidade em alguns setores da economia da Cidade como problema que deve ser atacado

Eleito em 2004 para a Câmara de Vereadores de Búzios Flávio Machado pretende retornar a disputa eleitoral após quatro anos afastado da casa do Povo. Tentando a reeleição em 2008 com o slogan ‘Machado neles’, Flávio ficou de fora desta legislatura, por conta do que classificou como tendo sido ‘um intenso ataque sofrido por parte dos candidatos a vereador da coligação que apoiou o ex-prefeito Toninho Branco’.
Mais maduro e com visão nítida a respeito dos acertos e erros cometidos enquanto esteve defendendo, com independência, como gosta de frisar, os interesses da cidade, Flávio não poupa criticas ao desempenho dos vereadores nesta legislatura e avisa que pretende concorrer mais uma vez a uma vaga na Câmara, mantendo estreito contato com aquilo que é possível ser realizado, e tendo como foco os interesses do povo.     

- Muita gente não sabe que serei candidato a vereador, novamente pelo PTB - diz o ex-vereador que durante seu mandato (2004/2008) notabilizou-se por sua constante fiscalização dos atos do Poder Executivo durante o governo Toninho Branco. ‘Minha maior virtude foi fazer aquilo que um vereador é obrigado a fazer, ou seja; fiscalizar o Executivo e estar ao lado do povo’, diz Machado justificando ter perdido sua vaga na Câmara nas últimas eleições por conta dos ataques que sofreu por parte dos correligionários do ex-prefeito.
- Perdi as eleições passadas por causa do poder financeiro dos outros concorrentes. Meu trabalho como vereador foi muito bem feito, mas contrariei interesses. O PMDB lançou vários candidatos em locais onde eu tinha muitos votos, o que acabou me prejudicando. Isso ocorreu em retaliação a minha conduta dentro da Câmara. Fiz uma campanha eleitoral em 2008 sem oferecer sacos de cimentos, sem oferecer ligaduras, cestas básicas etc. Não sou daqueles políticos que iludem as pessoas prometendo mundos e fundos que depois não poderão ser entregues – disse Flávio Machado na tarde de quarta-feira (1º de fevereiro) ao PH, completando que a população está sentindo falta de sua atuação na Câmara.
- Propaguei ideais políticos e fiz denúncias consistentes, algumas que culminaram na instalação de CPIs, como foi o caso daquela que investigou a compra de um parafuso por mais de duzentos reais, e de outra que abordou a atuação do ex-secretário de Esportes, Diogo Branco, quando do pagamento de nove árbitros que teriam sido contratados para apitar jogos de futebol na Cidade a peso de ouro. Em relação a estas denúncias o MPE prossegue nas investigações – garante o ex-vereador que atribui à ausência de submissão na condução de seu mandato, o alto índice de aceitação pelo eleitorado buziano que acredita ter.

Confira a seguir as respostas que o futuro candidato
proporcional do PTB deu ao PH a respeito de diversos temas

O que faltou aos vereadores desta Legislatura?
Faltou que eles tivessem real interesse pelo eleitor e independência para discordar, quando necessário, de suas lideranças políticas. Existe uma série de dispositivos legais aprovados na ultima Legislatura que ainda não foram implantados. Um exemplo disso é uma lei de minha autoria que instituiu a disciplina ambiental na grade curricular do ensino básico e fundamental, coisa que ainda não ocorreu.
Além da baixa produção legislativa e da falta de interesse em dar vigência a Leis já sancionadas, não vejo o povo sendo representado. O povo está órfão. Não vejo os vereadores em cima das causas sociais, além do que, a prestação de serviços públicos por parte do poder municipal tem sido pouco contestada. Alguns setores, como o do transporte, por exemplo, continua sem funcionar e ninguém fala nada sobre isso. O vereador é eleito para representar o povo na Câmara, estar presente em relação a suas demandas; não vejo nada disso acontecendo hoje. Fui autor também da lei que acabou com a cobrança da taxa de iluminação pública; vi a taxa retornar nesta legislatura sem que isso tenha representado significativa melhoria da entrega do serviço de iluminação para a população, haja vista a quantidade de lâmpadas queimadas que existem atualmente em todas as vias e logradouros públicos da Cidade.  

Por que esta nova tentativa de reeleição?
Porque as pessoas estão me abordando nas ruas dizendo que ninguém tem brigado pelos interesses do povo na Câmara; este tipo de abordagem vem até mesmo de pessoas que não votaram em mim. Sempre denunciei o ‘mal feito’, aquilo que estivesse na contramão dos interesses públicos. 

O senhor votou contra as contas do Prefeito Mirinho Braga referentes ao mandato exercido entre 2000 e 2004 e depois manifestou arrependimento. O que houve?
 - As pessoas queriam ganhar a eleição (de 2008) no tapetão e não no voto. Naquela votação das contas de Mirinho em 2005 eu era um vereador pouco experiente; acabei embarcando num movimento que tinha interesses meramente políticos cujo objetivo era tirar o Mirinho da disputa. Não havia nada de técnico naquelas questões avaliadas pelo colegiado e cuja recomendação do Tribunal de Contas indicava a reprovação das contas do então ex-prefeito. A maior virtude do homem é reconhecer seus próprios erros e avançar. Amadureci; passei a ter outra visão política da Cidade.

Se tivesse sido eleito em 2008 o que teria feito diferente do que está sendo feito pelos atuais vereadores?
- Vereador não tem que ser submisso ao prefeito nem o prefeito tem que ser refém dos vereadores. Vejo as duas situações ocorrerem hoje em dia. Quem perde com isso é povo que fica carente de representatividade, motivo do seu voto.

Que avaliação faz desta gestão?
Ainda tem muita coisa por fazer. O prefeito vem arrumando a casa desde que assumiu. Ele sucedeu um governo que deixou a cidade destroçada, negativada, cheia de dívidas e com vários problemas no MP para serem resolvidos. Acredito que a hora de fazer é essa. A cidade está bem planejada, dívidas sanadas, contas em dia... tem que partir para a ação.

Que tipo de vereador o senhor será, caso seja eleito?
Serei um vereador do povo. Não se pode fugir do que aponta seu grupo político, mas não se pode virar as costas para o que esta errado na Cidade, em prejuízo dos interesses do povo. Precisamos de um choque de ordem na questão dos transportes. As aulas irão começar e o problema da falta de transporte para os alunos da rede municipal persiste... No Centro da Cidade a existência de taxistas piratas ameaça a manutenção daqueles que são legalizados. Idem em relação a empresas de turismo que operam com autorizações precárias, agências informais de alugueis de carros, etc. O alto grau de permeabilidade a ilegalidade que existe na Cidade é algo que tem que ser combatido a qualquer custo, caso contrario, estaremos endossando uma sentença de morte sobre nossas principais matrizes econômicas.

O senhor esteve na coordenadoria do hospital por algum tempo; o que está faltando nesta área?
Falta na Saúde do município a conscientização de todos os agentes por um melhor atendimento a população. Refiro-me ao trato, a atenção com o paciente e seus familiares. Estive durante um ano na administração do hospital. Sempre cobrei atenção e carinho dos atendentes com os pacientes e com as pessoas que buscam informações ou atendimento hospitalar. Quem chega ao hospital já chega lá nervoso; se o profissional que atende também está nervoso vai haver confusão. Creio que temos bons quadros na Saúde de Búzios; o que falta é melhorar a comunicação, a relação entre o ‘sistema’ e o usuário. Resolvido esse impasse, o que se dará apenas quando houver humildade e boa vontade das partes, avançaremos bastante na avaliação que a população faz da Saúde Municipal.

Como o senhor está vendo o momento político na cidade?
Vejo pessoas que já estiveram a frente da política de Búzios tentando retornar. Pessoas que foram expulsas deste cenário por terem praticado a mais variada gama de irregularidades possíveis. Alguns, dos que agora pretendem voltar, estiveram trabalhando em outros municípios nestes últimos anos. Não podemos deixar que estas pessoas voltem ao cenário político da Cidade.  Alguns que hoje criticam nossa Saúde são os mesmos que enriqueceram a custa do sofrimento do povo. Gente que vendia remédio para o sistema e que enriqueceu a ponto de ter escritórios em Miami. Gente que roubou dinheiro público em cima de consertos de carros, contratações de organizações como a ONEP, um esquema que prejudicou dezenas de funcionários que trabalharam na Saúde do Município e que até hoje não receberam os salários relativos aos últimos meses trabalhados nem direitos rescisórios.
Tenho documentos que comprovam diversas denúncias; no momento oportuno revelarei nomes. Vejo essa turma se escondendo atrás de um novo candidato, tentando reeditar, através das urnas, velhos e maus costumes. Farei uma campanha dura contra esses interesses. Continuo a mesma pessoa; combativo, leal ao meu eleitor e aos interesses da Cidade. Sem cabresto ou compromisso diverso daquilo que deseja o bem estar do povo de Búzios. Minha postura independente foi responsável por diversas tentativas de me calar. Sofri ameaças, tive meu gabinete arrombado, mas nunca me deixei intimidar ou abalar. Coragem e determinação são algumas características da minha personalidade, características que penso estarem faltando na atual composição do Legislativo.


 

Colaborador: Redação

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