Atualizado em 28/01/2012 00:00:00
Pois é, depois que a monstruosa mulher matou espancando covardemente sua cachorrinha yorkshire tão pequena e indefesa, todos os dias se vê nos veículos de comunicação uma ou mais denúncias de maus tratos aos animais. Eu mesma tento não assistir a essas barbaridades, até porque sem sair do meu consultório, não houve sequer uma semana nos últimos 10 anos em que eu não presenciasse um episódio deste tipo, muitas vezes cometido por pessoas ‘acima de qualquer suspeita’. Acho até estranho que as pessoas se atenham a comentar com tanto entusiasmo fatos que ocorreram tão distantes de nós, quando do nosso lado, bem diante dos nossos olhos, presenciamos coisas tão graves quanto as que relatam nos jornais e canais de TV e nada fazemos de efetivo para mudar a triste realidade dos animais de Búzios.
Eu já vi de tudo – tarado que fazia sexo com a cachorra afghan, cachorros em regime de campo de concentração assassinados a pauladas em um canil público de uma certa cidade próxima a nossa em nome da limpeza urbana, a gata que foi carbonizada devido à um foguetório solto na inauguração de um comitê político na Vila Caranga, na última eleição, fato cometido por uma pessoa que quer ser famosa a qualquer custo, e que se recusou a ajudar, um homem que morava na Vila Caranga que matou sua labradora chocolate a pontapés porque esta estava no cio e cruzou com um vira-latas, pessoas que abandonam seus animais ‘ao Deus dará’ quando precisam mudar de casa (fato corriqueiro em Búzios), outras que exploram suas fêmeas de raça para vender seus filhotes, animais com seus genitais decepados com faca, um gato que foi estuprado na Praia do Canto, ‘criadores’ de passarinhos que envenenam os gatos dos vizinhos, cadela que sofreu cesariana feita pela própria dona na mesa da cozinha, dono que deu veneno para o próprio animal, ou para o de outrem, ou para muitos como fazem com freqüência em alguns condomínios para matar gatos, cachorro que teve a pata cortada por um facão e ficou o dia inteiro vagando pela rua com a pata pendurada, gatinhos recém nascidos afogados pela gerente de um restaurante famoso na praia em frente ao mesmo, mulher louca que trancava os gatos dentro do armário da cozinha, cachorros recolhidos em outra cidade e largados no bairro de Tucuns, um tamanduá que estava sendo varejado em um muro para ser assado em seguida, cachorra quase morta de fome e sede e rouca de tanto gritar amarrada no mato dentro de uma caixa com a ninhada - 3 mortos e 2 vivos - em pleno verão, o filhote de cachorro que comia pintos e por isso com um único chute morreu de traumatismo craniano, churrasco de gato na Rasa, e assim vai, são tantas coisas que me fogem da mente, e se eu começasse a anotar talvez faltasse espaço em um caderno de 500 folhas.
Posso dizer que na maioria das vezes eu bem que tentei tomar alguma atitude legal, tenho até alguns boletins de ocorrência registrados, mas não consegui muita coisa, aliás, nada, por isso cansei de dar ‘murro em ponta de faca’ e perder o meu precioso tempo. Hoje tento estar sempre à disposição, no meu trabalho, para ajudar os pobres bichos que sofrem por tanta violência daqueles que se dizem humanos. Acho que assim sou muito mais útil para eles.
Definitivamente, não preciso de notícia de jornal para saber o tamanho da maldade humana e o tamanho da impunidade do nosso sistema.
‘Bless the beast and the children, in this world they have no choice, they have no voice’- The Carpenters,. Até breve.
Colaborador: Lúcia Elena Simas
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