Atualizado em 28/01/2012 10:00:01
Se existe uma Associação de Moradores que nunca fugiu da raia quando o assunto é trabalho, é a de Tucuns. Tanto que sua proposta inicial era de que a Prefeitura contribuísse apenas com o apoio técnico, legal e jurídico, autorizando a construção em uma área pública, enquanto a associação recolheria o material com os moradores, e a própria população ergueria a quadra e praça do bairro, em mutirão. Aliás, conforme noticiado pelo PH, o arquiteto Hernán Katz, da Prefeitura, já havia visitado o local e entregue o anteprojeto. A quadra teria banheiros e vestiários, e a obra incluiria ainda uma creche para 30 crianças de Tucuns e Capão, e um salão de eventos. Custo para o município com as obras: zero.
Na reportagem de 12 de fevereiro do ano passado, o senhor José Carrapatoso, um dos mais ativos na associação, garantiu:
- Queremos que a comunidade participe, até para evitar cunho político, que só traz vaidade e divisão. O processo vai ser feito etapa por etapa: vamos pedir o cimento, depois areia, pedra, tijolo, ferro, e assim por diante. Não queremos que colaborem com dinheiro. Vamos devagar, crescendo como uma palmeira, e não como uma trepadeira, de qualquer jeito, sem consistência.
Não se sabe exatamente o que mudou na associação de um ano pra cá. Mas, seja o que for também ficou longe de outra proposta, feita por alguns vizinhos mais distantes da diretoria: que na praça fossem plantados Tucuns, e que um conteúdo explicativo sobre o nome se encontrasse à disposição de quem quisesse saber mais sobre esse tipo de coqueiro e a referência que ele dá ao bairro. O nome ‘Praça de Tucuns’ também chegou a ser sugerido, igualmente sem sucesso.
Aliás, outra polêmica é levantada em relação ao nome. Outra reportagem do PH, desta vez de 24 de setembro do ano passado, informava que a praça se chamaria ‘Elias Mureb’, em homenagem ao pai do secretário de Obras, Vilmar Mureb, que foi quem assinou o projeto em vigor, no lugar do arquiteto Hernán, afastado da missão. A decisão de nomear a praça com o nome do pai do secretário foi do presidente da associação, Márcio Santos. Este, aliás, afirmou esta semana que, apesar de as obras não estarem prontas, a faixa de agradecimento à Prefeitura já está confeccionada.
Mas, qual não foi a surpresa ao ver que na placa da obra, ao invés de ‘Praça Elias Mureb’, lia-se ‘Praça do Rony’, isso antes do nome ‘Rony’ ter sido retirado pelos moradores e trabalhadores da empresa Atafona Pontal, que é a empreiteira responsável, recebendo para isso quase R$110 mil. Com a exclusão do nome ‘Rony’ (que é um dos residentes mais antigos no local), o nome que a praça receberá ainda é uma incógnita. Número de registro da obra, na placa também não há.
Por fim, sabe-se que por várias vezes são os próprios moradores que têm que dar uma forcinha à empresa, seja pintando as grades, ou fazendo outros serviços. Trabalhadores da empresa mesmo, uniformizados, são raros se ver por ali, e com isso, a entrega da obra, firmada para o mês passado, ainda não tem data para acontecer.
E as polêmicas continuam: outra empresa, a Estrutura 67 Construções e Serviços, foi chamada para calçar a Rua do Bosque, que ladeia a praça. Ali estão sendo deixados outros quase R$148 mil. Uma das críticas em relação a obra é o sumiço das pedras de meio-fio, que já se encontravam no lugar, e segundo funcionário da empresa, seriam reaproveitadas ali mesmo, o que não ocorreu. Uma moradora do bairro, a senhora Maria do Horto, se pronuncia:
- Eu questiono o valor das obras. Tenho pesquisado algumas coisas na Prefeitura, não quero adiantar nada agora, mas tem coisa muito estranha no ar. Outras ruas super importantes, como a das Emerências, que dá acesso à praia, ficaram de fora. Aliás, gostaria de saber porque o Márcio se faz passar por presidente da associação, quando na verdade ele não é. A associação é representada por uma junta administrativa composta por cinco nomes, dentre os quais o meu. E apesar de a minha rua precisar de calçamento, eu nunca pedi que calcassem somente a minha, como ele pediu à Prefeitura para calçar somente a dele.
Enquanto isso, a pouco mais de meio quilômetro dali, outra moradora reclama:
- Entregamos um abaixo assinado à vereadora Joice Costa há um ano, para que nossa Travessa Dois Amores fosse calçada e impedida de receber veículos. Porque isso aqui é um perigo, carros e motos passam a mil, indo ou vindo da praia. Nesta semana, uma senhora se assustou com uma moto que vinha atrás dela, e caiu na minha porta. Infelizmente não fomos atendidos ainda, e parece que nem será dessa vez, pois os recursos que chegaram ao bairro foram todos pra outro lugar – disse dona Sueli.
Colaborador: Bruno Almeida
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