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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 20/01/2012 10:00:00

O Fim da Oposição

José Carlos Alcântara é consultor empresarial

Em, A Metamorfose, de Franz Kakfa, o funcionário público Gregor Samsa acorda e percebe que se transformou numa barata. Aqui, os eleitores que saem de casa assustados para votar, podem se deparar com uma dura realidade: não há mais oposição. É como na “pax romana”... As nossas elites dirigentes têm direito a tudo, enquanto a população é excluída de todas as discussões e decisões políticas. Aguardando talvez, por um espírito iluminado que, não falte com a verdade, denuncie as falcatruas, as traições de confiança e corrupções típicas do poder. Um líder pronto a lhe guiar em direção a uma era de transformações e bem estar social, que como no clone do filme Avatar, é controlado pela consciência, agindo de acordo com seus planos e idéias. Um bravo guerreiro, lutando contra um poderoso sistema que destrói o meio ambiente e acaba com um lugar tranqüilo. Na vida real, este ‘salvador da pátria’ não existe!
Nos últimos anos, por conta de uma absoluta falta de reação aos desmandos administrativos, nos encontramos numa situação, da qual é impossível extrair qualquer conclusão positiva do que está ocorrendo. As suspeitas ensejadas se fortalecem por si mesmas, graças à imobilidade e omissão dos que poderiam ter algum poder para coibir as práticas que desonram os poderes constituídos. Não há nenhuma razão para que os excluídos se calem, deixando os vendilhões se instalarem no templo. Até Cristo lutou contra tais desmandos, expulsando-os a chicotadas. Nós não podemos nos deixar vencer pelo cansaço, nem pela descrença na justiça.
Se houvesse alguém fazendo uma oposição responsável, haveria uma luta democrática em pleno andamento e não uma imprensa ‘denuncista’, cujo único objetivo é vender mais jornais. Pois, é fácil incitar as pessoas a se irritarem com ‘injustiças’, para poder promover uma catarse coletiva e propor mudanças, a partir da escolha entre duas alternativas: ficar sob a anestesia da desesperança, ou ser aliciado pelo sistema. Assim como as asas da liberdade voam pelos céus, nós só dependemos de nossas próprias atitudes e da participação cívica, para que esta situação de hoje tenha os seus dias contados.                                                                       
É preciso exigir dos candidatos nas próximas eleições, propostas de governo e investimento do nosso dinheiro, dando ênfase ao combate à corrupção e à redução de gastos desnecessários com o funcionalismo público. Ou eles nos governam com eficiência, trazendo-nos bons retornos dos investimentos feitos com os recursos públicos, ou vamos impedi-los de nos fazer perder ainda mais tempo com essas tolas e estéreis discussões, sobre uns projetos de mudanças impossíveis e as mesmas inúteis promessas de sempre. Estamos diante do fim da oposição. Convivemos hoje com uma geração de eleitores formados por informações livres, circulando on-line pela internet e acessíveis a todo mundo.


É uma revolução subliminar que está em curso e ela é contra a farsa dos políticos cretinos



As redes sociais atualizam o registro dos escândalos políticos e são hoje as fontes da história. As famílias, reunidas em torno do computador, podem ler os arquivos dos processos, dos atos de corrupção dos políticos, os seus nomes e as provas do seu envolvimento. É uma revolução subliminar que está em curso e ela é contra a farsa dos políticos cretinos, cujos discursos dissimulados, já não funcionam mais. Acessando a Rede de Escândalos do site da revista Veja, é possível se inteirar das acusações a que os réus do ‘mensalão’ estão sujeitos e de como deverá ocorrer o julgamento, na praça pública da era cibernética, onde os condenados receberão o seu virtual apedrejamento dos populares, através das redes sociais e do jiízo final das urnas. Não esperamos mais por líderes messiânicos, nem por milagres econômicos. Mas, por uma pessoa semelhante a nós, vivendo as mesmas agruras e preocupações do nosso dia-a-dia, que se parece com nosso vizinho, com quem gostamos de conversar sobre vários problemas, a nossa saúde, a educação dos filhos, a segurança do nosso bairro e da cidade... Uma pessoa que não se vê como uma barata; se identifica com as pessoas da vida real e que também é visto por elas, como um respeitável membro de uma grande rede de sobrevivência moral.                

 

Colaborador: Redação

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