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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 14/01/2012 00:00:00

E nós?

As eleições este ano para a presidência dos Estados Unidos da América passam a ocupar diariamente as páginas dos jornais do mundo e, naturalmente, também os brasileiros. As atividades diárias dos candidatos lá no país do Norte estão sempre presentes. O país americano permanece como a maior superpotência do planeta. Analistas lembram que o império americano arrasta uma colossal dívida, tentando recuperar o otimismo de alguns anos atrás.
É difícil para uma nação fazer um exame de consciência dos erros e falhas cometidas. Caso excepcional é o da Alemanha que, derrotada na ultima grande guerra, ainda procura redimir-se das barbaridades cometidas durante o regime nazista. A primeira-ministra alemã hoje vive em contínuos tête-à-tête com seu vizinho, o presidente francês, que esqueceu como a França foi ocupada e espezinhada pelos soldados germânicos há pouco mais de meio século.
Foi dada a largada da campanha presidencial americana. De um lado Obama o primeiro presidente não-branco a ocupar a Casa Branca. (Lembro-me de minha primeira viagem aos Estados Unidos em 1958 quando os “coloreds” tinham que se sentar nos bancos traseiros dos ônibus e os sanitários nos postos de gasolina eram separados; quando foi transferido para a África do Sul em 1974 voltei a conviver com as placas em trens e banheiros “whites only” e “non-whites”. Pensava que isso tudo era coisa do passado, mas leio que hoje em Jerusalém os judeus ortodoxos se sentam nos primeiros bancos dos ônibus e as mulheres no fundo).  A eleição  de Barack Obama parecia uma abertura e uma nova fase da história do país. Mas pouca coisa mudou.
A expansão americana é a própria história do país. Em 1899 o Presidente MacKinley proclamou que a invasão  das Filipinas, que resultou na matança de cem mil filipinos, visava  “cristianizar”  e “libertar” o povo  subjugado. Com o passar dos anos o lema foi mudado para “combate ao comunismo” e depois (invasão do Iraque) em “exportar a democracia”. Já somam muitos milhões  de homens, mulheres, velhos e crianças mortas pelas guerras do Vietnam, do Iraque e do Afeganistão.  Enumeram o número de soldados americanos mortos, esquecem as populações inteiras de civis dizimados.
Dos três candidatos do partido Republicano, dois insistem em manter os Estados Unidos no domínio do mundo mediante seu “complexo industrial militar”. Somente o terceiro, que não tem chances, o ginecologista Ron Paul, foi a voz dissidente, falou em  Paz.
O Brasil ultrapassou a Inglaterra se tornando a 6ª economia mundial, ficando atrás da Alemanha e França. Nas projeções para oito anos, para 2020, o Brasil manterá a 6ª posição, mas o lugar das  duas economias na sua frente, hoje França e Alemanha, serão ocupadas pela Rússia e Índia. Os países do BRICS exercerão maior poder nas relações internacionais. A Embaixadora Maria Luiz Viotti, última representante brasileira no Conselho de Segurança da ONU, em entrevista a O Globo declarou: “O Brasil tem mostrado uma preferência que coincide com a visão indiana e sul-africana, por soluções negociadas para conflitos. Valorizar a contribuição das organizações regionais como a Liga Africana.” O ex-ministro Jarbas Passarinho, em artigo na Revista do Clube Militar opina: “A China e os Estados Unidos disputarão a primazia econômica nos próximos anos. Correto será uma política de equidistância de ambos, pois são parceiros importantes na importação e exportação. No que tange ao desenvolvimento cultural, o Brasil do futuro imediato deverá voltar-se para incrementar o soft  power, a cultura e a tecnologia essenciais a qualquer poder nacional na era digital de 2050.”
Seja qual for o próximo presidente americano deverá compreender que o mundo está mudando e que o comportamento do império americano terá de se ajustar à nova situação. O Brasil manterá sua política independente.
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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