Atualizado em 07/01/2012 00:00:00
Em épocas passadas um país, um estado, era caracterizado por três elementos essenciais: território, povo e governo. Neste século 21 essa concepção , base do direito internacional, vem sendo gradativamente alterada, restando como elemento estável o território, mas governo e população vêm sofrendo modificações, consequência, em parte, d os efeitos da globalização, uma interação no plano econômico, com repercussões no político e uma movimentação do elemento humano como nunca antes ocorreu pela facilidade dos meios de transporte, principalmente a aviação.
Lemos que os Estados Unidos deportaram no ano passado 400.000 estrangeiros ilegais. Somente esse fato dá uma ideia do que ocorre em todo o mundo, milhões de pessoas mudam de país de residência procurando melhores oportunidades de trabalho ou mesmo sobrevivência, não como os emigrantes do passado, como os portugueses, italianos e espanhóis que emigraram para o Brasil e aqui ficaram adotando o novo país como pátria.
O emigrante da atualidade muitas vezes é um ‘emigrante temporário’, muitos voltam depois a seu país de origem, ou mesmo mantêm duas residências, a original e a nova. Assim a noção de ‘povo’ também vem sendo alterada. A Alemanha chegou a ter em certa época, por volta de 1970, sete milhões de estrangeiros vivendo em seu território. A ideia de um povo nacional é imperfeita. Esse problema afeta hoje praticamente toda a Europa que, pelo seu alto desenvolvimento econômico atraiu gente de todo o mundo. Hoje, com a crise que assola o continente, muitos dos emigrantes vivem em uma situação de difícil saída.
A transposição humana pode levar certos países a perder parcialmente sua identidade nacional. No futebol ocorre fenômeno semelhante. A antiga tradição de o clube manter seus jogadores é coisa do passado. Os clubes se tornaram empresas comerciais nacionais ou internacionais, o jogador não mais defende a camisa, mas quem pagar melhor. A mudança de time não é mais somente dentro da mesma cidade, do mesmo estado ou do mesmo país, hoje a troca é internacional. O sentimento de nacionalidade, o conceito de pátria, por essas pessoas que pulam de um país para outro, passou a um segundo lugar, da mesma maneira como no futebol em que o jogador deixa de ter raízes com o clube onde iniciou sua carreira.
No século 19 países da Ásia e África foram colonizados por nações europeias. Deixaram suas marcas nos países africanos e muitos adotaram como língua franca o idioma do colonizador. Assim o inglês se tornou língua oficial na Índia, sobrepondo-se às centenas de idiomas locais. Entretanto, isso não ocorreu em todas as colônias, como no caso da Indonésia em que o holandês do colonizador, então língua franca nas centenas de ilhas que compõem o país foi substituído por uma língua nacional.
Desde a II Guerra Mundial novas situações internacionais foram estabelecidas. A Coréia do Sul abriga por mais de meio século permanentemente 30.000 militares americanos e o Japão, 50.000. O Iraque esteve até agora ocupado por de tropas estrangeiras que ultrapassavam mais de cem mil homens. Mesmo com a retirada dessas tropas permanecerão no país 15.000 ‘contratados’, teoricamente ‘convidados’, mas na realidade mercenários diretamente subordinados ao Estado Maior americano. Assim, a noção de que três elementos (território, povo e governo) formam a essência de um Estado membro da ONU (Nações Unidas) é teórica ou falsa.
O Direito Internacional criado aos poucos, por convenções, para reger as relações entre os países, está desmoralizado. É bom lembrar que, apesar do Presidente americano de então, Woodrow Wilson, ter sido um dos impulsores da chamada Sociedade (ou Liga) das Nações criada depois da I Guerra Mundial, os Estados Unidos ficaram de fora. Com o fim da II Guerra Mundial os Estados Unidos impulsionaram a criação da ONU, mas inventou o veto por parte das cinco nações com cadeiras cativas no Conselho de Segurança-democrática, pelo controle das cinco potências aliadas com assento permanente no Conselho de Segurança. A ONU é pouco democrática.
Colaborador: Alfredo Rainho
MAIS NOTÍCIAS
Últimas Notícias
Eduardo Almeida
Artigo Livre
José Gonzaga
Viva as emoções sem drogas
Sergio Nogueira Lopes
Tribuna da Imprensa
Alfredo Rainho
Artigo Livre
NOTÍCIAS
JORNAL PRIMEIRA HORA
Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.