Atualizado em 30/12/2011 00:00:00
A mãe de todas as leis da física de autoria do grande Isaac Newton, diz: ‘A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e em sentido contrário’. Foi testada e comprovada e jamais posta em dúvida pelos meios científicos. É universal.
Eis que no Brasil de nossos dias nos defrontamos com uma série infindável de ações, de grande intensidade, sempre no mesmo sentido, às quais até o presente momento nenhuma reação resultou como conseqüência. Entre tais ações, do nosso cotidiano e do conhecimento de todos, porque sempre presentes na mídia, figuram como destaque entre milhares de outras desconhecidas, as seguintes: a) Propaganda institucional intensiva não só do governo e seus ministérios mas principalmente de empresas públicas de monopólio tais como: Petrobrás, Correios, Eletrobrás, CEF, Embratur e outras que tais, que desembolsam verdadeiras fortunas para falar do óbvio (por exemplo: ‘Brasil - um país de todos’, caso oposto poderia ser de um só?). O descalabro maior desta prática continuada é ter sido identificada como a fonte de recursos usada pelo partido do governo para fazer deste país uma democracia sem contraditório, como consta dos autos do escândalo do mensalão, urdido na ante-sala do Presidente que dele nunca tinha ouvido falar; b) Queda de sete Ministros de Estado, cargo que pressupõe idoneidade comprovada, por repasses milionários a ONGs que, ao arrepio do nome, têm como única fonte de recursos o Tesouro Nacional. O fato resultou na suspensão dos repasses por 30 dias (como medida saneadora). Parece brincadeira, mas os repasses já foram retomados e os escândalos vão se suceder; c) Apenas para citar alguns, dentre muitos, imagine como o Brasil seria mais ético, honesto e promissor se fosse possível banir da vida pública por crimes pretéritos do conhecimento de todos os seguintes personagens encastelados no poder: José Sarney, Renan Calheiros, Paulo Maluf, Fernando Collor,Romero Jucá, Jáder Barbalho, Roseana Sarney e tantos outros de triste fama. Mas, infelizmente processos, inquéritos, CPIs e outros procedimentos legais jamais foram suficientes para apurar os desmandes destes senhores e afastá-los definitivamente dos cofres da nação; d) o CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito, em recente resolução aboliu a necessidade de sinalização indicativa da existência de radares (pardais) caracterizando assim o verdadeiro objetivo desses instrumentos, que é simplesmente arrecadar.
A pergunta que não quer calar é: qual foi o preço pago pelas empresas operadoras destes equipamentos, para os signatários da decisão? Não tenho noção do montante arrecadado por estas empresas em todo o Brasil, mas tenho certeza de supera a casa dos 5 bilhões de reais. Com a resolução que torna o pardal uma verdadeira arapuca, qual será o incremento desta soma bilionária? É desta avaliação, quanto teria sido pago para estes funcionários públicos decidirem apunhalar toda a população.
Tenho em mãos texto do professor Marco Antônio Villa, catedrático da Universidade Federal de São Carlos, sob o título: ‘Triste Judiciário’, publicado pelo Jornal O Globo, no dia 13/12/2011, que relata dentre outras barbaridades que existem ministros recebendo em um único mês valores superiores a 400 mil reais, face às chamadas ‘vantagens eventuais’ e que os assessores CJ3 recebem acima do salário máximo fixado pela legislação que é de R$ 25.700,00 como é o caso do assessor-chefe CJ3 de um desembargador, que recebeu R$ 39 mil em um único mês.
É triste que depois de tanta luta para o estabelecimento do estado de direito tenham confundido independência com gastança irresponsável de recursos públicos e autonomia com prepotência. Paralelamente esses nababos acumulam milhares de processos sem solução e não existe relação entre o mérito do desempenho e os salários recebidos, motivo pelo qual a justiça não funciona neste país. Não é necessário nada fazer para que mensalmente seus proventos pacificamente adentrem em suas contas correntes e o povo que fique aguardando para não sei quando, o exame das questões que lhes foram confiadas. Pessoalmente tenho uma ação que entre a fase administrativa e a judicial se arrasta há 30 anos nos escaninhos desses senhores e outra de uma simples ação de despejo que vai completar em janeiro, 16 anos de ‘via crucis’.
É tudo muito lamentável, hediondo, revoltante, devastador, mas absolutamente verdadeiro. Aí é que me pergunto; não estariam essas agressões continuadas, sem nenhuma reação da parte contrária, a desmoralizar a lei de Newton? Meu receio é que esta reação esteja sendo acumulada para um dia ser liberada em toda a sua intensidade, contra os agressores de hoje. Minha preocupação é que este movimento de resgate da honra, da honestidade, da moral, do patrimônio e da cidadania, resulte em derramamento de sangue, contra todas as nossas tradições. A continuar o cenário de hoje não tenho dúvida de que a reação não tardará...
Carlos Terra – é pecuarista, empresário, e articulador político
Colaborador: Redação
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