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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 23/12/2011 00:00:00

Um conto de Papai Noel

Papai Noel é a figura mais querida em todo o mundo.  Um velho, sorridente, de grandes bigodes, barba branca, com chapéu vermelho debruado de branco e envolto numa grossa roupa de lã vermelha. Como transporte usa um trenó puxado por oito renas, antipoluentes, em obediência ao Protocolo de Quioto. As oito renas são fêmeas, pois os machos perdem seus chifres, a galhada, antes do inverno na Lapônia, lá na Finlândia, onde mora com sua mulher. Sempre sorridente, é bastante forte para carregar um grande saco cheio de presentes. 
No Brasil é Papai Noel, mas em Portugal se chama Pai Natal. Em outros países é Santo Nicolau ou Santa Claus. O bom velhinho traz os presentes no dia de nascimento de Jesus, 24 de dezembro.  Nos países de tradição ortodoxa, como a Rússia, a religião segue o antigo calendário Juliano e o Natal é festejado no dia 7 de janeiro.
O Natal vai mudando com o passar dos tempos. Os cartões de Natal eram quase uma obrigação e tinham de ser enviados a tempo para que chegassem antes do día 24. A formula era clássica: “Boas Festas e Feliz Ano Novo”,  mesmo traduzida em outras línguas. Bom negócio para papelarias e trabalho insano para os correios. Veio a internet e no lugar dos cartões impressos as mensagens viraram virtuais. Menos trabalho, nada de ter de comprar o cartão, assinar, escrever endereço, selar e jogar na caixa do correio.  Deixamos de exibir no alto do móvel na sala todos os cartões recebidos, de parentes, amigos e do comércio. Não sei mesmo se um dia o selo vai desaparecer, receber uma carta é coisa rara.
A árvore de Natal no canto do salão exibia bolas e algodão representando neve, mais velas.  Hoje são todas eletrificada, árvores de Natal das cidades viraram cones, decoração  variada,  milhares ou milhões de lâmpadas. De árvore nada ficou, nem galhos nem folhas. Mas muitos efeitos, criatividade e muita luz.

Papai Noel é bem informado: para vir ao Brasil achou perigoso viajar só com seu trenó de oito renas

Quando Santa Claus ou Papai Noel, apareceu lá no Ártico o mundo era mais calmo. Nenhuma história de assalto ao enorme saco que o velhinho trazia no seu trenó, cheio de brinquedos e por vezes até de jóias preciosas. Assaltantes do passado deixaram o velhinho em paz. Mas hoje a situação é diferente. Foram inventadas organizações terroristas como  Al Qaeda e máfias, além da tradicional italiana, agora temos mais a israelense e a russa. Também não existiam paraísos fiscais ou contas secretas em bancos suíços. Foram inventados os seguranças, palavra mais elegante que os antigos ‘guarda-costas’. Todo político, senador, deputado e afins, prefeitos,  juízes e desembargadores, ninguém ousa colocar  os pés fora  de casa sem ser acompanhado por um ou dois seguranças e seu automóvel ser seguido por outro, sempre preto. Qualquer cidadão que se considere importante também só sai rua acompanhado por um ou dois guarda-costas.
Papai Noel é pessoa bem informada. Para vir ao Brasil achou perigoso viajar com seu trenó de oito renas, poderia ser assaltado e ter seu saco de presentes roubado.  Adotou o sistema brasileiro: seu trenó será  acompanhado por mais dois outros trenós, também puxados por renas especialmente escolhidas e treinadas, cada um com dois seguranças armados. A diferença é que os dois seguranças não trajam os tradicionais ternos pretos, mas de cor vermelha para dar a impressão de serem seus auxiliares. As crianças brasileiras podem ficar descansadas: seus presentes vão chegar direitinho. Façamos votos que para o Natal do próximo ano, em 2012, Papai Noel não necessite mais de guarda-costas.
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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