Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 16/12/2011 00:00:00

Choque pelo calor

A sensibilidade do proprietário é essencial para detectar a interrupção da atividade física antes que o animal entre em colapso por excesso de calor

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Apesar da temporada das chuvas estar demorando a passar, finalmente chegou a época pela qual nós, residentes da Região dos Lagos, aguardamos ansiosamente. Final de primavera, já vindo o verão, as coisas começam a melhorar. Nossa qualidade de vida é bem melhor que nos outros lugares, pois aqui temos mar para todos os lados e sempre ocorre uma leve brisa, diferente do Centro do Rio de Janeiro, onde as paredes esquentam e muitos são obrigados a trabalhar de terno e gravata, sapato e meia. Não posso nem imaginar uma coisa dessas. Somos abençoados!
Mas, mesmo assim, não podemos descuidar. Aqui também pode fazer muito calor e nós, humanos, sabemos o que sentimos e podemos nos refrescar. Mas e quanto aos nossos bichinhos?
Precisamos cuidar para que eles, devido ao verão muito quente não sofram. O que, ultimamente, vem ocorrendo com freqüência.
E, por mais que gostemos dessa época, devemos admitir que este ano está prometendo. Prometendo matar muitos animais de calor, literalmente. Torna-se então urgente que os proprietários entendam porque temperaturas excessivas podem fazer tão mal. E é o que vamos fazer agora.
Intermação é o termo usado para se definir o choque pelo calor e ocorre quando a carga deste calor excede sua dissipação. Ou seja, a fonte de calor é maior que a capacidade do animal de perdê-lo. Com isso a temperatura corporal começa a subir, levando o corpo às alterações que descreverei em seguida.
Cães e gatos, em geral, sofrem muito com as altas temperaturas devido a sua capacidade inferior de dissipar o calor, portanto este problema é muito comum neste tipo de animal.
Para compensar a elevação  da temperatura corpórea, ocorre uma vasodilatação (aumento de calibre dos vasos sanguineos), e com isso o sangue corre mais lentamente pelos vasos, diminuindo assim a nutrição dos tecidos, o que resulta em lesão dos mesmos. Com isso ocorre a congestão cerebral, hemorragia intracraniana, necrose, e morte dos neurônios. A necrose também se estende a mucosa gastrointestinal, e o animal vomita e defeca sangue. E obviamente, poderá vir a óbito.
A sensibilidade do proprietário é essencial para que quando deve interromper a atividade física antes que seu animal entre em colapso. Os horários de sol quente devem ser evitados. A caminhada deve ser feita de manhã bem cedo ou ao entardecer. É importante que a pessoa entenda que seu animal sempre quer seguí-la, mas que ele mesmo não tem o discernimento de saber quando deverá parar. O responsável pelo animal é quem deverá se lembrar que este possui o corpo coberto de pelos, e que não usa sapatos, portanto, o chão quente poderá queimar seus coxins plantares, como já cansei de ver. Deixar animais presos em veículos então, nem pensar! Cães devem descansar após alimentarem-se (gatos vão por conta própria). Deve-se ter o maior cuidado com animais de pelagem preta, pois sentem mais as altas temperaturas e não se pode esquecer de passar o filtro solar nos de pele branca, em volta dos olhos, na bolsa escrotal na ponta das orelhas, pois adquirem câncer de pele, tal qual os humanos.
Estes são todos cuidados simples que devemos tomar com nossos filhos, conosco e com nossos animais.
E, por fim, vale a pena ressaltar que o verão é a época das bicheiras (larvas de mosca varejeira), e dos insuportáveis mosquitos, que atacam nossos cães, causando terríveis coceiras em nossos companheiros. Converse com seu veterinário sobre isso, que ele lhe indicará o repelente adequado ao seu caso. Até breve.
 

Colaborador: Lúcia Elena Simas

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