Atualizado em 16/12/2011 00:00:00
Considerando que Búzios, indubitavelmente, é uma marca e que este fato nos envaidece e enche de orgulho, é de se convir que ao se pensar em um Encontro, seja ele regional ou nacional, passe pela mente dos organizadores que o desenvolvimento de qualquer proposta poderia ter sede em nosso município. É comum ouvirmos em um Fórum ou Seminário o refrão pronunciado pelos organizadores: ‘Búzios é o local ideal para esse nosso Evento’. Não tenho conta das vezes que ouvi tal adágio e, mais precisamente nos últimos meses temos assistido encontros sociais que buscam soluções para os problemas do município como também regionais e mesmo nacionais. Infelizmente quando tratamos de qualquer assunto com envolvimento social têm-se logo como foco a ‘Droga’. De forma específica, realizou-se há pouco mais de duas semanas, na Câmara de Vereadores de Armação dos Búzios um Fórum sobre o tema. No último dia 09, sexta-feira, tivemos o Seminário de Segurança Turística, no Hotel Rio Búzios, e, no dia 14 o Fórum Intersetorial de Políticas Públicas para Álcool e outras Drogas. Em resumo, tudo converge para a chaga das Drogas.
Consoante ao 1º encontro tivemos a participação de membros do Legislativo, até porque foi de iniciativa do vereador Messias Carvalho; do Executivo, com a presença de vários secretários de governo e; de Entidades envolvidas com a problemática no município, ocasião em que fui enfático ao dizer que estávamos enxugando gelo, sendo despiciendo afirmar que o ‘sistema’ assim o exige e que a bem da verdade não vemos alternativas no momento a não ser que se mude o enfoque onde os recursos empregados no combate, ao invés de convergirem para os aspecto policialesco, o seja para a saúde, até porque no tocante à criminalidade o que se observa é que, na maioria absoluta das vezes encontra por viés a Droga – mas, sem opção ainda, enxugamos gelo porque em este se transformando em água e essa em lama ao se escorregar, o dano é maior – assim é a solução e o resultado paliativo .
Quanto ao 2º Encontro, pertinente à Segurança Turística, tivemos a participação de autoridades estaduais, municipais e entidades de mesma abrangência no contexto do turismo, sendo organizadora a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro e o Delegado da 127ª DP, Dr. Mário Lamblet, funcionou em sua coordenação. A iniciativa foi extremamente louvável, salvo interesses que considero pouco abrangentes no município pela importância do enfoque, isto é, talvez pela falta maior de tempo para sua organização deixou-se de buscar ou mesmo convidar pessoas e entidades no município com mais envolvência na questão da Segurança Turística, cito aleatoriamente um morador de Búzios que considero um dos maiores ‘experts’ em ambos os temas Droga e Turismo, o Dr. José Gonzaga que foi o relator do 1º Fórum Nacional Anti-Drogas e membro do Conselho Nacional do Turismo, não sendo lembrado em ambos os eventos quando sua experiência, com certeza abrilhantaria as duas grades. Os palestrantes, concordo, se houveram bem, com ênfase, destaco, em minha opinião, a expositora Adriane Braga, professora universitária e Bacharel em Turismo que ofuscou com sua digressão sem demérito dos demais, eis que discorreu sobre capacitação ao tempo que propôs soluções. Outro, o Secretário Oscar Lyrio, no meu entendimento foi feliz em sua objetividade pois que dirigiu seu raciocínio para nossas carências e necessidades no município. Não olvido também Sérgio Melo que, com sua experiência em Armação dos Búzios apreciou com precisão nossas feridas mas apresentou poucas soluções, ou mesmo o delegado Lamblet, cuja formatação de uma cartilha para o turista, em várias línguas, foi extremamente feliz quanto a este feito que, vale evidenciar o CCS já fizera distribuição no município de algo semelhante, porém de contexto mais amplo onde o aspecto do turismo foi visto superficialmente em sua elaboração pelo Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP). Quanto a fala do Ten. Cel. Cândido, Comandante do Tourist Police (Unidade de Turismo da Polícia Militar do Rio de Janeiro), questionei no sentido de que o que servia para o Rio de Janeiro ou mesmo quanto a outro município limítrofe ao nosso, talvez não se aplicasse à Búzios ou, vice versa e que nós tivemos na 5ª CIA, um Comandante, Ten. Henrique, que desenvolveu uma tese específica quando Major, sobre unidades da Polícia Militar com incidência no turismo e, localizada, que bem poderia ser aproveitada por aquele Comando. Mais uma vez fui crítico, iniciando a minha fala dizendo que eu seria o advogado do diabo afirmando, entre outros aspectos discorridos, que tínhamos que abandonar o excesso de retórica e passarmos a ser mais pragmáticos, pois que na maioria dos eventos observamos factóides e que se quiséssemos algo mais concreto precisávamos implementar o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), no município, cujo projeto está pronto na Secretaria de Ordem Pública e que este Órgão se reuniria oportunamente para tratar desta e de outras questões com muito mais proficuidade pois ali estariam reunidos aqueles de interesse objetivo do assunto a ser ventilado. Avancei mais em minha crítica expositiva quando disse que há 14 anos, por ocasião do Orçamento Participativo foram apresentados projetos de cunho social e econômico para o desenvolvimento do município e com foco no emprego, meio ambiente sustentável e turismo, mas que outros interesses se sobrepuseram àquelas iniciativas propostas.
Completando o ciclo de Encontros, neste último que se realizou no dia 14 no Cine Bardot, de iniciativas do Secretário Municipal de Saúde, Guilherme Azevedo e da Promotora de Justiça, Denise Vidal, não me furto a fazer a crítica no sentindo de que se o norte buscado são as soluções, mais observamos a enfatização de problemas de forma redundante, quando tais soluções já foram apontados anteriormente em outro encontros e sequer implementadas. Na oportunidade foi apresentado um documentário com a participação direta do ex-Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e outros depoimentos, dos quais podemos pinçar em um deles o termo usado pelo escritor Paulo Coelho, qual seja, Hipocrisia. Assim, em minha opinião o que constatei foi uma apologia à maconha, em fleches do filme completo; algumas citações às anfetaminas, à cocaína e ao craque e; superficialmente ao álcool. Ao usar a palavra fiz a colocação no sentido de que se busca mais atacar os efeitos desta chaga, a Droga, e menos as causas quando observamos interesses sub-reptícios quanto a este último foco pois disso tenho experiência própria ao afirmar e cito como exemplo quando militei na fronteira em serviço pelo Governo Federal, no combate ao contrabando de metais preciosos sendo obstacularizado porque ‘pari passu’ minha equipe atuava no combate à entrada da Droga no país, caindo no oblívio toda a missão porque incomodávamos. Na verdade o que nós temos é uma pirâmide em que o vértice é a entrada, seja por terra, mar ou ar; o corpo da pirâmide é composto daqueles que se locupletam e estão por trás das facilidades na entrada da Droga e a base dessa pirâmide é composta do usuário é do traficante ‘bode expiatório’, os ‘Beira-Mar’ e os ‘Nem’, daí minha opinião formada quanto ao conceito de Sistema atual falido de combate, onde a Hipocrisia é a tônica, pois se ataca o efeito por interesses vários, na base, isto é, a repressão com punição, enfatizada pelo Promotor Frederico e não a prevenção como causa.
Assim, considerando em primeira plano a falência do Sistema utilizado e o jogo de interesses nele embutido, em segunda plano buscando a melhoria da Saúde no país, em terceira plano tomando como exemplo o resultado obtido em outros países consoante ao enfoque do problema e, em último plano, principalmente pela eliminação da Hipocrisia, sou a favor da descriminalização da Droga. Por fim, sem sofismar, se somarmos os recursos orçamentários disponibilizados para o município provindos de todas as fontes que a ele se destinaram no período, observamos que muito pouco foi feito consoante às metas declinadas. Reitero, necessitamos de mais objetividade e menos parlação, e, quiçá consigamos fazer com que todas essas iniciativas venham a nos beneficiar, indistintamente e, em particular nos anos 2014/16, por ocasião dos Eventos que ocorrerão no país.
Colaborador: Redação
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