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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 10/12/2011 00:00:00

A bandeira e as telhas azuis

Depois de atingir o topo da estrada, a 1400 metros, inicia-se a descida de curvas e curvas no asfalto ainda novo da RJ-163 para chegar a Visconde de Mauá.   Já na descida se avista um telhado grande e uma dezena de telhados menores de um azul carregado. Como ceramista identifiquei de imediato pelo brilho que as telhas não eram pintadas, mas esmaltadas, possivelmente fabricadas em olarias do sul país.
O conjunto pertence uma pousada com chalés de arquitetura original e moderna, mas todos com lustres de cristal, uma paixão do proprietário e razão do nome do local. Desde os tempos que morei no oriente sou apaixonado pelos telhados verdes coloridos de templos xintoístas, de palácios antigos e de telhados de telhas coloridas de algumas catedrais européias centenárias. Assim, o azulão daquelas telhas vidradas me encantou.
Os chalés da pousada eram amplos e de uma arquitetura funcional e moderna e ainda  com lindos lustres de cristal, uma paixão dos proprietários, como vim a saber depois.
Mas a grande surpresa foi encontrar no meio do jardim um alto mastro de uns cinco metros de altura de onde flutuava a bandeira brasileira. Em muitos países a bandeira nacional é exibida não só em edifícios públicos, escolas, mas também em casas particulares. Em todo mundo hotéis de classe ostentam a bandeira do país e a dos estrangeiros hospedados.   Mas esta é uma pousada, não um grande hotel. No Pindorama  não imitamos os americanos que exibem  por toda a parte a sua “Star and Stripes” ou os franceses o “tricolore”.
Num encontro com o proprietário comentei sobre o mastro e a bandeira. Respondeu-me ser um apaixonado por seu país, um nacionalista convicto.  Felicitei-o por sua atitude e por ser talvez a única pousada brasileira a exibir a bandeira. Mas, pedia licença para uma observação:  a bandeira para ficar hasteada  durante a noite deve ser  estar sempre iluminada, assim é o dispositivo legal.  Confessou-me que ignorava, mas ia providenciar um foco. Quanto às maravilhosas telhas de cerâmica vidrada de azul forte eram capixabas, de Vila Velha.
A lei brasileira determina que edifícios públicos, prefeituras e câmaras municipais hasteiam a bandeira nacional e mais ainda, escolas públicas e particulares, durante o ano letivo, pelo menos uma vez por semana. Em 19 de novembro, o “Dia da Bandeira”, a bandeira é hasteada ao meio dia e arriada às 18 horas, não devendo permanecer hasteada durante aquela noite, mesmo se iluminada.  Creio ser um preceito universal a iluminação da bandeira à noite, embora em alguns países haja o costume da bandeira depois do anoitecer ser colocada a meio pau, como nas ocasiões de luto.  O respeito à bandeira é reverenciado com rigor nas instituições militares, inclusive com o tradicional “Juramento à bandeira”.
Talvez no passado  a bandeira brasileira fosse habitualmente hasteada  no pátio da escola de manhã e arriada no fim do dia.  Também faz anos, no tempo do rádio, muito antes da televisão os programas começavam às 6 da manhã com o hino nacional e terminavam à meia-noite, novamente com a execução do hino. Hoje o funcionamento da TV é contínuo, vinte e quatro horas diárias, sem interrupção, sem começo nem fim e sem hino.
Não tive coragem de contar ao nacionalista dono da pousada de Visconde de Mauá que em Búzios no Pórtico onde funciona a Secretaria de Turismo estão instalados três mastros:  o do centro, mais alto, para a bandeira nacional  e os laterais para a estadual e a municipal, mas que parte do ano os mastros exibem as bandeiras hasteadas, mas infelizmente nem sempre. Por vezes passam semanas e semanas e os três mastros permanecem sem as bandeiras, nus.  Uma completa irresponsabilidade e falta de respeito.
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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