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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 03/12/2011 00:00:00

Búzios, Cidade sem Memória

Por Eduardo Almeida

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Quando escrevi sobre o meu amigo falecido Carlos Henrique Amaral Peixoto, imaginava que todo mundo iria saber quem foi ele. Mas para surpresa minha, diziam: esse cara deve ter sido legal, você escreveu bacana a respeito dele.
Fiquei imaginando que uma cidade turística, especialmente Búzios, onde tem um grande número de estrangeiros, ninguém sabe nada de ninguém. Todo mundo está de passagem, no máximo sabem onde fica a farmácia, os restaurantes, as praias.
Já no Rio de Janeiro, eu criticava que os cariocas não tinham amigos e sim momentos de amizade. Cidade que tem praia não tem visitas que vão a sua casa. Tudo se resume a antes da praia e depois da praia. Não é como São Paulo, Belo Horizonte, Recife onde ainda existem as ¨dindinhas¨ que vem a ser as madrinhas. No Rio você não conhece nem seu vizinho, quando tem festas de crianças da escola, o máximo é uma festa em uma casa de festas. Que merda.
No caso do Carlos Henrique, foi muito mais do que uma amizade. Ele me proporcionou uma fábrica de malucos. Vou contar: ele tinha uma casa em frente a minha casa na Ferradura, fez a casa para os filhos, a casa era tão projetada sobre o mar, que você cuspia dentro d’água. Era uma casa pequena e ele um dia me disse: Eduardo, não vou alugar para ninguém, alugo e depois me chateio. A casa é minha, mas você toma conta para mim. Se rolar uma graninha, legal.
A casa estava toda decorada, casa dos sonhos para qualquer um. Logo aluguei para temporada para a Lia Miranda, filha do homem que trouxe a Yoga para o Brasil, o Caio  Miranda. A Lia também me alugou uma loja que tinha ao lado do hoje Mcdonald´s, era de produtos orientais, esotéricos, anjinhos, incensos, tudo Zen, mas a Lia se encantou pela casa do Carlos Henrique, e às vezes eu via um monte de gente querendo comprar os produtos e a loja fechada, eu ligava para ela e ela dizia: Estou tão relax, tão na minha, vendo esse mar e já vi várias tartarugas que não vou poder ir abrir a loja não. E não abria nem por um cacete.
Depois eu emprestei a casa para um delegado, o cara só vinha nos fins de semana e logo arrumou uma periguete namorada. Ela maravilhosa, e ficava a semana sozinha, sozinha não, sem ele. Ela ia para a night e trazia os carinhas para fazerem companhia pra ela, afinal solidão de mulher gostosa não existe. Na madruga eu escutava ronco de motos, de carros, e os gritos de JOGA A CHAVE MEU AMOR. O fim de semana chegava e a maluquete periguete se transformava na namorada do doutor. Mãozinhas dadas na Rua da Pedras e os risinhos da moçada safada.
Até que um dia, em uma sexta feira, um Ricardão errou no fuso horário e chegou de carro na madruga e gritou; Periguete, joga a chave, estou cheio de amor para dar. Quem respondeu foi o Delega: segura essa chave de aço seu safado, e mandou ver, disparou um pente de nove milímetros. Uma das balas acertou no transformador de luz e aconteceu uma explosão! Apagou a Ferradura toda.  Gritos dos vizinhos. O Ricardão entrou no carro e saiu batido, pegou o caminho errado tanto era o cagaço, derrapou e capotou. Mais barulho, tudo escuro, mais gritos, o carro capotou e ficou de pé de novo. O Ricardão pensou: o cana dura corno, agora me perdoa. Parou na porta da casa, estava machucado e disse: doutor estou todo arrebentado, meu carro tá todo quebrado, ME AJUDA. O delega, disse: legal, agora vou acabar o serviço, e mandou bala, a mulher se meteu no meio e levou um tiro na perna. Mais gritos.
Ao saber disso, o Carlos Henrique se deliciava e dizia: muito melhor do que o aluguel é saber dessas histórias. Depois do delegado veio um persa, hoje Iraniano, chamava-se Alexander. Era filho de ministro do Xá da Pérsia. Um dia uma tempestade, raios, trovões, tudo isso no meio da noite. Aí no mesmo transformador caiu um raio, desta vez uma explosão real. O iraniano pensando estar sendo vítima de um atentado dos aiatolás, saiu nu para a rua e veio para minha casa. Eu vendo um cara nu, gritando no meio da noite e da escuridão, soltei os cachorros em cima do gringo. Foi uma merda. Por isso a saudade que sinto do meu amigo Carlos Henrique, que deve esta rindo muito aí no céu.
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Hoje tem Rufus gostou...
...de saber que Mamys Regina Florião foi indicada para ser a Presidenta do PSDB Mulher em Búzios. Mamys vai longe, vai ser a Pereirão de Búzios. Vai botar as mulheres no jeito, dar um banho de dignidade no poder feminino que é tão sem expressão aqui. Afinal, só temos uma vereadora em Búzios. ABSURDO. Mamys diz: o PSDB vai ser fashion, com muito batom e purpurina. Tudo que Búzios precisa.
 

Colaborador: Eduardo Almeida

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