Atualizado em 26/11/2011 00:00:00
Já vão uns setenta anos que o país inteiro foi envolvido pela frase “O Petróleo é nosso”. Na época passamos a viver com a idéia de que o desenvolvimento do país estaria garantido com a descoberta de petróleo em território nacional, mas em mãos dos próprios brasileiros. A grande esperança foi confirmada quando jorrou petróleo do poço em Lobato, na Bahia.
Já estava confirmado que o continente sul-americano produziria petróleo. A Argentina já havia conseguido a primeira exploração. Em 1935 estourara a chamada Guerra do Chaco quando a Bolívia tentara conquistar um pedaço de território paraguaio que teria petróleo.
Monteiro Lobato, o criador de Emília, de Pedrinho, de Dona Benta, da Tia Anastácia, do Sitio do Pica Pau Amarelo e do Visconde de Sabugosa era um grande nacionalista e entusiasta da campanha do “Petróleo é nosso”. Seu livro O Poço do Visconde visava despertar nas crianças o interesse pela campanha. Curiosamente o petróleo foi descoberto num lugar com seu próprio nome.
Muita gente se envolveu na campanha. Lembro-me do pai de um colega da Faculdade, o Coronel Arthur Carnauba — em sua casa não se falava em outro assunto.
John Rockfeller era então o milionário americano mais famoso, com sua fortuna feita na base do chamado “ouro negro”. O petróleo extraído de solo americano abastecia o mercado As companhias americanas já exploravam o petróleo em outros países, mas o povo americano não imaginava que anos mais tarde ficariam dependentes da importação de óleo estrangeiro, da Venezuela ou da Arábia Saudita, e que iriam ocupar um país com o Iraque por causa do petróleo ou da Venezuela
O Brasil dependia totalmente da importação de gasolina e derivados do petróleo. A Petrobrás não era nascida. Também não se sonhava que o Estado do Rio seria o estado mais importante na exploração do petróleo com a bacia de Campos e agora com o pré-sal. Imaginava-se é que no Amazonas poderia haver muito petróleo ou no Nordeste. Óleo fluminense, não se cogitava, nem capichaba.
Depois de tantos anos passados temos agora de voltar à legenda antiga “O Petróleo é nosso”, não em caráter nacional, mas nós, fluminenses e também nós, buzianos. Minas Gerais lucra com a exploração e exportação de seus minerais, mas nunca se inventou que teria de distribuir os lucros da exploração de seu ouro, de seus minerais de suas pedras preciosas com o resto da federação. Mas agora, um estado que nem mar tem, quer participar dos lucros da exploração do pré-sal. Todos os estados se consideram agora com direito aos lucros futuros do petróleo extraído da costa fluminense e capichaba. Afinal com que direito?
Até certo ponto o desastre ambiental agora ocorrido com o vazamento de poço explorado pela americana Chevron vem demonstrar que se o Estado do Rio usufrui vantagens com o petróleo de sua costa, também tem desvantagens. Não se sabe quanto a pesca será prejudicada com o vazamento e se este pode atingir as praias fluminenses. Está ainda na memória de todos nós o grande desastre ambiental no Golfo do México, com a destruição da fauna marina e também de prejuízos por parte dos moradores até hoje não ressarcidos pela companhia inglesa BP (British Petroleum).
Técnicas modernas permitem que o ouro possa ser escavado a dois milhares de metros da superfície. Companhias estrangeiras já iniciaram extração desse ouro em solo brasileiro. Se os Estados do Rio e Espírito Santo deveriam distribuir seus lucros com o futuro pré-sal por todos os estados da federação, então também os estados que obtiverem lucros extras com a extração do ouro de seus subsolos igualmente distribuir pelos demais estados. É uma grande confusão. E tem mais: e o nióbio de Roraima. “O nióbio é nosso” tem de ser o lema de hoje.
Colaborador: Alfredo Rainho
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