Atualizado em 26/11/2011 00:00:00
A construção de ciclovias mudaria para sempre toda a mobilidade urbana de Búzios. A realização de um projeto desta natureza é essencial nos dias de hoje, pois define o futuro da locomoção na cidade e pode delinear um novo perfil de comportamento para os seus habitantes.
A expansão urbana desordenada da península, ampliou o tempo que se gasta para ir e vir, de um ponto a outro da cidade. Com um excesso de veículos, movidos a combustíveis poluentes e entupindo as vias de acesso ao Centro, é urgente a necessidade de se pensar em outras alternativas para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade ambiental da vida dos moradores. A implantação de ciclovias é viável e uma necessidade inadiável a ser atendida, sob pena das condições de mobilidade, que já são críticas, se agravarem.
A cultura das motos barulhentas circulando em alta velocidade e dos veículos acelerados dentro do perímetro urbano, desobedecendo a leis básicas de trânsito e ao bom senso, ao transitarem por estas vias estreitas e mal planejadas, chegou ao seu limite... O crescimento do número anual de óbitos por acidentes de trânsito em Búzios, já preocupa e observamos como isto é grave, a partir da leitura do importante estudo feito pelo Instituto Sangari, em conjunto com o Ministério da Justiça, intitulado Mapa da Violência 2011: Acidentes de Trânsito, Abril 2011. A constatação que inferimos a partir desta pesquisa é estarrecedora: Com uma média de seis óbitos anuais por acidentes de trânsito, Búzios já ocupa o 44º lugar, entre os municípios com o maior índice de fatalidades no estado. Longe dos primeiros colocados, Vassouras e Silva Jardim, com mais de 20 mortes/ano, mas à frente de Paty do Alferes e Iguaba Grande que, com uma média de 1 a 2 mortes/ano, ocupam o 72º e 73º lugar em acidentes fatais, comparando cidades com menos de 35 mil habitantes.
A demanda reprimida de ciclistas potenciais é muito grande e, por isso mesmo, é muito fácil criar um fato político com o anúncio de ciclovias.
Infelizmente, a mesma população que pede pelas ciclovias, não pergunta porque elas nunca saem do papel. As ciclovias são tão importantes, que ninguém põe em dúvida o impacto positivo que elas criam nas cidades e na população em geral. Este é seu ponto mais forte que representa uma unanimidade incontestável.
É preciso resgatar a mobilidade viária urbana e diminuir o número de carros em circulação, difundindo campanhas para melhorar a educação e o respeito no trânsito, criando uma nova cultura de mobilidade urbana.
Este sistema de transporte deve ser normatizado através de um Plano Cicloviário de Armação dos Búzios, contemplando os projetos imobiliários atuais e os futuros planos de expansão viária do município. Este plano deverá prever a criação de:
1. Bicicletários em escolas, praças, terminais de ônibus e centros comerciais.
2. Pontos estratégicos com serviços de apoio aos usuários e dispositivos para facilitar a integração do sistema cicloviário com os demais meios de transporte.
3. Criação de roteiros turísticos para o uso exclusivo de bicicletas, explorando as belas paisagens, as praias e os pontos de atração turística de Búzios.
Além das ciclovias, devemos desenvolver programas para atrair novos ciclistas, como a realização de passeios, sorteios, ações recreativas e culturais, tendo como foco o uso de bicicletas, mobilizando a população, através de uma campanha com um título sugestivo: “Pedala Búzios”, ou “Búzios by Bike”. Como pretendemos ser transportados pelas ruas de Búzios nos próximos 20 anos? Dentro dos ônibus, presos em congestionamentos? Espremidos dentro das vans? Ou, dirigindo um carro e circulando entre os milhares de veículos de turistas, que tomam as ruas de assalto, perguntando onde é que fica a Rua das Pedras? Bem que poderíamos ir de bike, pedalando por ciclovias asfaltadas, limpas, sinalizadas e com uma boa iluminação à noite. Com as ciclovias Búzios ficaria bem mais bonita e civilizada.
Colaborador: Redação
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