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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 23/11/2011 00:00:00

A Corregedoria do Detran, MP e Polícia Civil deflagram operação contra funcionários do órgão na Baixada Fluminense e Região dos Lagos

Fraudadores emitiam laudos falsos com objetivo de livrar usuário da vistoria obrigatória

836425A operação Contramão 1 e Contramão 2 eram voltadas para a área de habilitação. Nós estamos atuando agora numa outra área. É exatamente a área de veículos. Então, eram outras pessoas, com outros modus operandi e outras ofertas de serviços ilícitos", afirmo

Foto: Divulgação

A Corregedoria do DETRAN/RJ, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil, por intermédio da 51ª DP (Paracambi), deflagraram, na quarta-feira (23), a Operação Direção Oposta, com o objetivo de cumprir 45 Mandados de Prisão e 44 Mandados de Busca e Apreensão contra funcionários, prestadores de serviço do DETRAN/RJ e despachantes.

 Trinta e seis pessoas foram presas em nove municípios da Baixada Fluminense e da Região dos Lagos, incluindo Araruama e São Pedro da Aldeia. Outras nove pessoas continuam foragidas. No total 66 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pela prática dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, inserção de dados falsos no sistema de informações do DETRAN/RJ, falsidade ideológica e peculato.

Na casa de um dos presos, em Campo Grande, foi apreendida farta documentação de veículos, R$ 12 mil e celulares. Na Região dos Lagos, uma pistola, um revólver e uma carabina foram apreendidos, além de munições de pistola e fuzil.

Em Araruama, foram denunciadas 46 pessoas, todos funcionários e prestadores de serviço de dois postos de vistoria, chefiados por Nildo Sá Ferreira, apontado como o líder da quadrilha desta unidade.

Ricardo de Paracambi e Nildo de Araruama são apontados pela investigação como os responsáveis por coordenar a atividade dos demais funcionários, cada qual em seu posto, e arrecadavam o dinheiro recebido por eles de motoristas que não desejavam submeter seus veículos à vistoria obrigatória. João Carlos Lanhas La Cava de Abreu, ex-Subchefe do posto de Araruama também é apontado como um dos lideres por manter as atividades ilícitas no Posto de Vistoria de São Pedro D´Aldeia, chefiado por ele.

Os fraudadores deixavam de vistoriar os veículos e regularizar documentos de licenciamento ao apresentarem laudos falsos, dando aparência de legalidade na emissão da documentação de veículos irregulares. Assim, Certificados de Registro de Veículos (CRV) e Certificados de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV) eram comprados, ao mesmo tempo em que era permitida a circulação irregular de veículos sem condições de circular.

Também foram identificadas irregularidades como fraudes no documento de transferência de propriedade dos veículos, retirada de multas e IPVA atrasados do sistema do DETRAN, além de emissão irregular de Carteiras de Habilitação.

As taxas cobradas pelos denunciados ficavam entre R$ 50 e R$ 300 por operação fraudulenta, variando de acordo com o cliente, com o grau de dificuldade da operação ou com o total de serviços solicitados. Estima-se que as quadrilhas faturavam de R$ 200 mil a R$ 250 mil mensais apenas com a chamada “vistoria fantasma”, quando o motorista não levava o veículo para inspeção e, ainda assim, recebia a documentação necessária para circular.

Entre os denunciados está o Policial Militar Rogério Teixeira Gonçalves, perito cedido inicialmente ao posto de vistoria de Araruama, atualmente trabalhando no Posto de São Pedro D´ Aldeia, onde continuou a exercer as práticas ilícitas.

A investigação teve por base conversas telefônicas captadas com autorização da Justiça, que flagraram diálogos entre os membros da quadrilha, descrevendo as práticas criminosas em curso de janeiro até novembro deste ano. As irregularidades foram constatadas em operações envolvendo automóveis de diversos municípios.

Uma entrevista coletiva foi concedida na manhã desta quarta-feira para explicar os detalhes da operação. Participaram o Corregedor do DETRAN, David Anthony; a Chefe da Polícia Civil, Martha Rocha; o Subchefe Operacional da Polícia Civil, Fernando Velloso; os Promotores de Justiça do GAECO, Bruno Gangoni e Marcelo Arsênio; e o Delegado da 51ª DP (Paracambi), Felipe Curi.

 

Nota do Detran sobre a operação Direção Oposta

 

Ao deflagrar, nesta quarta-feira (23), juntamente com o Ministério Público e a Polícia Civil, a Operação Direção Oposta, o DETRAN/RJ  dá mais uma demonstração de que não hesita em cortar na própria carne para coibir atos e condutas ilegais.  Foi o que aconteceu hoje, quando funcionários e prestadores de serviços de postos de vistoria foram presos devido à prática de irregularidades no campo de registro de veículos.  Essa política de extirpar a corrupção  é permanente e recairá sobre todo e qualquer funcionário ou prestador de serviços flagrado na prática de ações não condizentes com o serviço público.
 
O departamento informa que o posto de vistoria de Araruama, que teve os serviços suspensos em razão da Operação Direção Oposta, voltará a funcionar normalmente nesta quinta-feira (24/11). Outros dois postos onde houve intervenção policial, os de Paracambi e São Pedro D’Aldeia, já voltaram a funcionar normalmente. As pessoas que não conseguiram realizar os serviços terão uma semana para retornar ao posto, sem necessidade de reagendar o procedimento
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Colaborador: Redação

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