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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 12/11/2011 00:00:00

A idade e a mudança

269683?Após 16 anos de muita dedicação e trabalho chegou minha vez de mudar. Quero curtir a vida, nadar, andar de bicicleta, fazer caminhadas, dançar e, especialmente, ter mais tempo para meus amigos?, disse Briguitta ao PH no início da semana

Mês passado participei de um workshop onde dei uma palestra. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 50 mulheres de todas as raças, credos e idades.  E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionado sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito. Aí fiquei pensando: pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos? Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo...Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há outro truque que faz com que eu continue a ser chamados de ‘rapaz’. A fonte da juventude chama-se “mudança”. De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menor. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu. Outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Búzios, aonde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Minha amiga, a guerreira Brigitta: “Após 16 anos de muita dedicação e trabalho chegou minha vez de mudar. Quero curtir a vida, nadar, andar de bicicleta, fazer caminhadas, dançar e, especialmente, ter mais tempo para meus amigos”.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. Olhe-se no espelho...

LuizGurivitz - psicólogo. Rua das Pedras, 04 sobreloja – Búzios. (22) 2623-1080.
 

Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz

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