Atualizado em 05/11/2011 00:00:00
Em Cabul, capital do Afeganistão, Hillary Clinton, Secretária de Estado do governo americano ia começar uma entrevista com o repórter da televisão CBS quando lhe passaram um Blackberry, ouviu a mensagem do celular gritou: “Uau” (em inglês escrevem “Wow”). A notícia que recebera era da morte do déspota e líder líbio Moammar Kadhafi.
Depois da Segunda Guerra Mundial foi estabelecido ritual de levar os responsáveis pela guerra e barbaridades a tribunais. O generais nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nuremberg e depois executados . Os judeus caçaram alemães responsáveis pelos crimes do holocausto, julgaram e os condenaram.
Mas nem sempre interessa levar um ex-presidente, um ex-chefe da uma nação a um tribunal internacional. O ex-Presidente comunista sérvio Slobodan Milosevic’ pode-se dizer que deu muito trabalho ao Tribunal Internacional, advogado, dominando várias línguas, se defendeu aguerridamente das acusações, mas finalmente morreu antes do julgamento final. A eliminação de Kadhafi foi conveniente para os Estados Unidos e para a Europa. Tivesse ele sido preso e levado ao Tribunal Internacional o processo seria demorado e o ditador líbio teria usado de dramatização acusando de hipocrisia aqueles que antes o haviam cortejado. A lista seria longa, a começar pelo verdadeiro “senhor da guerra” contra a Líbia, o presidente francês Sarkozy que, poucos anos antes fizera a gentileza de permitir que o ditador armasse sua luxuosa tenda nos jardins do Palais de l’Elysée, palácio presidencial francês.
Obama anunciou com grande efeito que no fim do ano 30.000 soldados americanos no Iraque voltarão para casa. Mesmo sem os soldados, a Embaixada americana em Bagdá equivale a uma verdadeira pequena cidade com 17.000 funcionários e incluindo suas famílias é maior que a população de Búzios. Nenhum Embaixador em todo o mundo chefia uma Embaixada com essa quantidade de funcionários. Os consulados americanos em Mossul, Basra e Kirkuk terão cada um 1.000 funcionários cada. Para fazer o que? Uma maneira de camuflar a ocupação americana, já que o governo de Bagdá recusou conceder aos GIs americanos imunidade penal. Os Estados Unidos venderam aos iraquianos 18 aviões F-16, mas terão seu próprio pessoal no Iraque para treinar os pilotos iraquianos, o controle do espaço aéreo iraquiano continuará nas mãos dos americanos. E outros artifícios, de varias naturezas, manterão o Iraque sob controle de Washington.
A OTAN (Organização do tratado do Atlântico Norte), criada há sessenta anos para enfrentar o comunismo russo, pouco a pouco foi estendendo suas garras à Ásia, com a guerra no Afeganistão, e sustentando os rebeldes contra Kadhafi na Líbia. Seria uma camuflada reocupação colonialista do Norte da África? Sua importância é estratégica para a Europa destino de 85% de sua produção de petróleo de uma reserva de 45 bilhões de barris, a oitava do mundo e com a diminuta população de seis milhões e meio de habitantes. Será agora bem aceito pelo povo um Primeiro-Ministro que viveu a maior parte da vida fora do país e possui também cidadania americana?
As guerras iniciadas neste século continuam se arrastando sem previsão de terminar e novas atividades militares parecem nascer como o ataque por vants (aviões não tripulados) americanos matando líderes ligados à Al-Qaeda no Iêmen. A perda de vida de americanos desde a guerra do Vietnam, mais no Iraque e no Afeganistão e novas tecnologias de guerra levou o governo americano a reduzir o orçamento dos serviços de inteligência militares em favor do aumento das verbas para a CIA (Agência Central de Inteligência) para a execução do uso de vants, como utilizados no Afeganistão e no Paquistão. Novos redutos da CIA foram criados na Etiópia e na Somália para combater o grupo Al-Shabah, ligado a Al-Qaeda, e que domina parte do país. Obama conseguiu liquidar Bin Laden, mas tudo indica que a Al-Qaeda continua viva.
Colaborador: Alfredo Rainho
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