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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 05/11/2011 00:00:00

As ditaduras da Europa

Marcelo Paiva Paes de Oliveira é médico

Recentemente conversava com um colega de plantão no hospital de Búzios, um obstetra gente boa, o Dr. Raposo, sujeito daqueles que já se adaptaram à vida e vão levando a valsa conforme a nota da música. Bem diferente de mim, que ainda insisto em levar a valsa no contra pé do compasso, na certeza de que o compasso está sendo levado por um maestro cujo interesse na música é bem diferente do meu. E, neste sentido, dizia eu a ele que o Jornal Nacional da Rede Globo de televisão, por trás de toda aquela aparente seriedade do William Bonner e da Fátima Bernardes, nada mais é do que um panfleto de propaganda do capital financeiro.
Uma das razões mais evidentes para isso é que antes de começar o Jornal, temos um locutor que diz: “Bradesco oferece... Jornal Nacional”. Ora, se o Bradesco é quem nos oferece o programa, então o que esperamos ver por lá? Alguma matéria sobre o lucro abusivo dos bancos e do sistema financeiro? Alguma matéria mostrando que enquanto o país se esforça em programas de governo para erradicar a miséria, os bancos lucram centenas de bilhões de dólares por ano? Claro que não, o que veremos naquele jornal é tão somente aquilo que quem paga a conta para que ele vá ao ar quer nos dizer.
Agora, o pior de tudo aconteceu recentemente. Ora, a esmagadora maioria da mídia ocidental, e o Jornal Nacional também, tem se referido aos mandatários do mundo árabe como ditadores, e porquê? Porque estes mandatários são contra as eleições. Eles estão no poder há anos e se recusam a fazer eleições, a consultar o povo.
Seguindo o raciocínio de que a democracia é o melhor instrumento do mundo, teríamos então que ver o William Bonner anunciar a seguinte notícia: “O ditador francês, Nicolas Sarkozi, e a ditadora alemã, Angela Merkel, se opõem a intenção democrática do presidente grego de realizar um plebiscito para avaliar se aceita ou não o acordo para a crise econômica da Grécia.”
Mas não, o que assistimos, sem nos dar conta, são matérias que chegam a nos fazer pensar que seria mesmo ruim para a Grécia realizar um plebiscito. Afinal, quem manda é o Capital, e se o capital não quer consulta ao povo, não devemos consultá-lo. E neste momento, para “salvar” a Grécia, o capital quer arrocho em cima do trabalhador, quer aumento de impostos, quer indexação da economia à metas de superávit econômico, enfim, tudo para garantir que sobrará dinheiro no caixa do governo para pagar a dívida com os bancos, e que se dane o desemprego e a falta de dinheiro para pagar o povo.
Enfim, este fato é um exemplo claro de que precisamos acordar e sair deste marasmo, afinal estamos sendo bombardeados por uma lavagem cerebral da ditadura do capital financeiro. Se não dermos um basta nisso eles vão nos transformar em mera mão de obra, em meros atores da acumulação da riqueza alheia, e nós estaremos, finalmente, condenados a uma vida de robôs, ou pior, de bocós.
 

Colaborador: Redação

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