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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 22/10/2011 00:00:00

Seminário em São Paulo Fiesp realiza evento com Madaleine Albright ex-secretária de Estado dos Estados Unidos e especialista em mercados emergentes

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O “show business” está por toda a parte.  Antigamente, no século 20, convidava-se uma personalidade, um escritor, um político que deixara um cargo importante, para fazer uma palestra e a instituição organizadora do evento pagava as despesas de hospedagem ou mesmo a viagem do palestrante. A entrada para a palestra ou conferência era grátis.
Hoje cobram para se assistir a palestra de um conferencista importante, que por sua vez cobra quantias super faturadas pela presença.  Na semana passada, a Federação das Indústrias de São Paulo deve ter gasto uma nota para ter como participantes num seminário e fazer palestras duas americanas que ocuparam posições no governo americano, Madaleine Albright, ex-Secretária de  Estado (isto é, Ministra do Exterior)  e a ex-Secretária  de Comércio Exterior, Susan Schwab, ambas relíquias do governo Clinton.  Albright, é uma extraordinária mulher, nascida na Checoslováquia, recebeu nacionalidade canadense pelo casamento e depois virou americana. Ativa e competente, falando várias línguas, inclusive russo.
A economista Susan Schwab bateu na tecla da necessidade de Brasil e Estados Unidos trabalharem conjuntamente, nada de novo. Madeleine Albright afirmou que o Brasil já ocupa  projeção de relevo  no cenário internacional, mas para se tornar uma  potencia internacional necessita  “repartir responsabilidades fora de sua região,”  mas não esclareceu quais.  Na concepção de Albright no mundo sempre haveria uma superpotência para orientar as outras nações, acusando  mesmo a China de fugir da responsabilidade com o que chama de problemas internacionais e não atende  a “compromissos  multipolares” que beneficiariam a economia global.
Albright herdou a Secretaria de Estado de Henry Kissinger, o alemão naturalizado americano, considerado em sua época como uma figura de prestígio no campo de a política internacional. No seu tempo os Estados Unidos se engajaram na guerra do Vietnam, que deixou dois milhões de mortos de vietnamitas e 75.000 americanos.  As florestas foram desfolhadas pelo “agente laranja”, responsável por tornar aleijadas  muitos milhares de crianças vietnamitas hoje adultos.
Ela não parece reconhecer que o  mundo mudou bastante desde que ocupou seu importante cargo e que os Estados Unidos estão agora na berlinda pelo apoio então dado a  governos corruptos e ditatoriais, com subvenções e ajudas militares  fabulosas para se alinharem à política externa americana numa obediência fiel. Coisas do passado.  A queda do presidente egípcio Mubarak marcou o divisor das águas da nova situação. As relações com o fiel e tradicional aliado, o Paquistão, estão estremecidas em alto grau. Situações bem diversas da época em que era Secretária de Estado.
Mostrou-se simpática ao afirmar que o Brasil tem todas as condições para pretender a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, mas ao mesmo tempo alega que a comunidade internacional poderia rejeitar uma modificação do mesmo Conselho. Dá para entender que usa o eufemismo “comunidade internacional” no lugar de “Estados Unidos”, que de modo nenhum admite qualquer alteração no funcionamento do Conselho de Segurança que possa diminuir a posição americana. Apela para o Brasil para se juntar aos Estados Unidos em socorrer as nações falidas. Não explica que nações, se os próprios Estados Unidos se encontram em crítica situação financeira.
Apesar de reconhecer que a Turquia e a Índia merecem um papel político mais importante nos organismos internacionais em nenhum momento se referiu à participação do Brasil no BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) causa de preocupação e desagrado do governo americano por esse  alinhamento cuja interação cresce dia a dia.
Interessante notar que na mesma semana o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos divulgou um panfleto de 49 páginas expondo a política externa de seu governo se eleito e em que, ao analisar as relações com a América Latina, cita México e Colômbia, mas o Brasil nem é citado.
* Madeleine Allbright veio ao Brasil no início do mês para encontrar os CEOs das principais empresas do País para expor sobre “O Papel do Brasil na Nova Geopolítica Mundial”
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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