Atualizado em 08/10/2011 00:00:00
Os pacientes da Policlínica de Búzios foram surpreendidos no início desta semana, ao receberem telefonemas da clínica Neuro Lagos (em Araruama), desmarcando ‘em cima da hora’ exames que levaram mais de um mês para serem agendados. A explicação dada era de que a clínica e a Secretaria Municipal de Saúde não possuem mais o convênio.
Segundo a funcionária da secretaria, Patrícia, a decisão partiu da Neurolagos, ao se recusar a renovar o contrato que venceu no dia 2 (domingo), alegando que o valor pago pelo município é muito baixo, aquém da tabela comercial. Na quarta-feira pela manhã, ao atender a reportagem do PH, Patrícia solicitou a presença de um guarda municipal, que testemunhou a conversa:
- Eu não posso dar entrevista, porque o secretário Guilherme Azevedo não me autorizou. Posso, no entanto, dar explicações a você como paciente. O que dissemos para a Neurolagos é que, se eles queriam aumento, deveriam nos avisar com antecedência, para que esse aumento fosse analisado pelo Conselho Municipal de Saúde, como reza o contrato. Já estamos providenciando outro lugar para que os exames sejam feitos – declarou ela ao repórter Bruno Almeida, um dos pacientes que teve seu exame desmarcado.
Procurado na sexta-feira, 7, para se pronunciar sobre o assunto, Guilherme Azevedo mandou apenas que a recepcionista dissesse à reportagem que ‘o problema com a Neurolagos já estava resolvido’. Por telefone, a funcionária da Neurolagos, Raquel, disse que a clínica não é obrigada a dar declarações à imprensa, e que o repórter em questão estava sendo muito invasivo ao querer saber de quanto era o repasse da Prefeitura de Búzios pelos exames e quantas pessoas foram prejudicadas com a não renovação do contrato. Apesar de se dizer responsável por não dar as informações, Raquel informou que o ‘diretor da clínica’ também não as daria, e deixou a entender que o problema (rompimento) se deu pela falta de pagamento ou atraso do mesmo pela Prefeitura (‘eles sabem muito bem porque não renovamos’, disse ela).
Na Policlínica, também na sexta-feira, o diretor Oton disse desconhecer que o problema entre a Neurolagos e Secretaria havia sido sanado, mas que ‘se o secretário disse assim, assim é’. O repórter Bruno Almeida comenta:
- Na segunda-feira eu vou ligar para a Neurolagos e tentar agendar meu exame novamente, já que o secretário, Guilherme Azevedo mandou dizer que o problema está resolvido. Mas, se lá me informarem que o convênio não foi renovado, serei mais um a ir ao Ministério Público para garantir meus direitos de cidadão. Cobri algumas pautas sobre a saúde no município e posso dizer que é muito difícil obter informações da pasta: parece que há um medo que a população saiba o que está acontecendo. É bom lembrar que informação é um direito do cidadão, e um dever do gestor público. Em outra ocasião, quando reclamei a respeito da retenção de resultados de exames pelo hospital, obtive uma resposta evasiva do secretário. Não quero favor nem preciso que demonstrem simpatia por mim, mas como qualquer pessoa, independente de grau de instrução, renda, profissão ou qualquer outra coisa, exijo respeito. Não dá para precisar de um exame e não saber o que fazer, assim como não é plausível tentar apurar reclamações dos beneficiários do sistema de saúde publica e não obter respostas consistentes dos agentes públicos – disse Bruno Almeida.
O exame requerido, e negado, ao repórter do PH é o de eletroneuromiografia. Segundo informações, não há outra clínica na região apta a fazê-lo.
Colaborador: Christianos Matos
MAIS NOTÍCIAS
Últimas Notícias
Guilherme Barcellos
Afrobuzios
Alfredo Rainho
Artigo Livre
José Gonzaga
Viva as emoções sem drogas
Luiz Marcos Gurivitz
Comportamento
NOTÍCIAS
JORNAL PRIMEIRA HORA
Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.