Atualizado em 08/10/2011 00:00:00
O que falta às crianças hoje é presença e não presentes
Pensemos no Dia das Crianças. Um dia, a princípio, de puro lazer dedicado aos pequenos.
O que nos preocupa? O presente! A rotina de comprar o presente. Talvez os seus filhos já tenham até escolhido o brinquedo que querem ganhar, talvez você já esteja se descabelando para saber como vai colocar mais estes mimos no orçamento de outubro. Talvez passe pela sua cabeça que bons pais têm que satisfazer seus bons filhos realizando seus desejos de consumo em datas tão caracteristicamente consumistas.
Compromisso com a educação
Vamos deixar uma coisa bem clara: o que os pais têm que dar aos filhos é a educação. Educação no sentido de prepará-los para lidar com o mundo. E educar para a realidade é fundamental. Desde quando? Desde quando ele começa balbuciar no shopping: “eu quelo”.
Educar para a realidade também diz respeito a ensinar critérios para
consumir: querer, precisar e poder adquirir algo. Nem sempre precisamos do que queremos, nem sempre precisamos do que podemos ter, nem sem-
pre podemos ter o que precisamos ou queremos.
Ensinando limites
Quando os pais podem lidar com essas limitações e podem fazer do consumo algo racional, eles não só estão defendendo uma certa economia familiar como também estão ensinando seus filhos a planejarem, a lidarem com a realidade, a serem criativos, a não se deixarem levar pela opinião alheia, a não serem valorizados pelos objetos que têm, mas pelo o que eles são, a respeitarem os pais e a não se deixarem levar por outras formas de consumismo danosas. O consumo de drogas, por exemplo, também está diretamente ligado ao tipo de sociedade em que vivemos aonde adquirir coisas é sinônimo de “ser alguém” e de ser feliz.
Explorando a criatividade
Tudo isso me faz lembrar alguns momentos da minha infância, quando acabava a luz de casa. Os adultos ficavam agitados, preocupados com geladeiras e afins, mas o divertido para nós crianças era brincar de teatro de sombras à luz de velas e contar histórias de medo. A quebra da rotina nos fazia mais íntimos e criativos. O que seria mais uma noite em frente da TV, passava a ser uma experiência nova e divertida em família.
Quebrando a rotina
A rotina atinge a nossa relação com nossos filhos e, às vezes, perdemos o prazer de estar com eles. Aliás, almejamos que eles entrem na rotina para que possamos ter mais tempo para nós. É justo, mas precisamos prestar atenção se nossos momentos de lazer também não estão se tornando pura rotina.
Pais mais presentes
Então, o que fazermos no Dia das Crianças? Comemoramos a tarefa de acompanhar o crescimento de outro ser humano a quem nos dispusemos a amar, orientar e proteger. Fazemos isso usando nossos corações e nossa criatividade, inventando brincadeiras e, se quisermos e pudermos, dando uma lembrancinha. Nenhum presente daria conta de expressar nosso amor por eles e, portanto, esse mimo não é medida de nada.
O que falta às crianças hoje é presença e não presentes.
LuizGurivitz - psicólogo
Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz
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