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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 01/10/2011 00:00:00

Coragem e sinceridade

A primeira ministra da Eslováquia, uma loura balzaqueana de cabelos compridos chamada Iveta Raditchova, no seu discurso na 66ª Assembléia  das Nações Unidas em Nova York, representando  seu país, referiu-se expressamente à Presidente  Dilma  na inauguração da sessão em que pediu “coragem e sinceridade” para as relações internacionais.  A primeira ministra eslovaca também afirmou que a mulher vem cada vez mais desenvolvendo um “maravilhoso  papel” na política.
A Presidente do Quirguistão, com sua face arredondada, um pouco mongólica, de nome Roza Otunbayana, na mesma tribuna, na véspera, dedicou parte de seu discurso ao progressivo papel da mulher na condução da direção  no governo de seus países e realçou o fato da Assembléia Geral ter sido aberta pela primeira vez por uma mulher, a Presidente do Brasil.  Eslováquia e Quirquistão são países pequenos,  um no  centro da Europa e outro na Ásia, encostado na China, ambos com uma diminuta população de cerca de seis milhões de habitantes, mas são dois exemplos da excelente impressão deixada pela Presidente brasileira.
Anos atrás mulher podia ser rainha, mas presidente de um  país republicano, eleita, não era concebível. Na América Latina, a Argentina já teve como Presidente Isabel Perón e agora Cristina de Kirchner, assim como o Panamá , a Costa Rica e recentemente  o Chile com  Michelle Bartelet.  Na Europa, Finlândia, Irlanda e atualmente a Suíça.  Vários outros países elegeram mulheres como primeiro mandatário e outros como Primeiro Ministros, como foi o caso de Indira Gandhi na Índia, a feia israelense Golda Meir,  Simirava Bandaranaike, que por três vezes  governou o Ceilão,  e hoje a alemã Angela Merkel.  A única mulher que serve para enfeitar um governo, mas pouco manda, é a Rainha Elisabete da Inglaterra.
A Assembléia Geral da ONU anualmente apresenta um grande show com a presença e discursos da grande maioria de chefes de estado.  Mas é tudo, depois morre. A força política da ONU é sustentada principalmente pelo Conselho de Segurança na mão dos cinco países que detêm o poder do veto e suas cadeiras cativas.  Nos passos do  ex-Presidente  Lula, Dilma justificou a urgente necessidade de uma reforma da ONU, começando pelo Conselho de Segurança que, passados sessenta nos de sua criação, não corresponde às necessidades do mundo atual. Os Estados Unidos se opõem tenazmente contra qualquer alteração do estatuto do Conselho de Segurança e mesmo da ONU, receosos de perder seu grande poder, principalmente agora que começam a reconhecer que o imperialismo americano iniciou a descida da ladeira.
O discurso de Dilma teve grande impacto sobre nações fora da primeira linha de países exatamente por que são estas que melhor compreendem e exigem a necessidade da reforma da ONU. Ao analisar a crise financeira Dilma usou de uma linguagem direta ao se referir aos 44 milhões de desempregados na Europa e 14 milhões nos Estados Unidos e 200 milhões em todo o mundo. Os países ricos vivem querendo dar lições e ensinar economia aos países emergentes, mas no momento atravessam crises financeiras e assim é chegado o momento de procurar novas idéias e soluções fora do tradicionalismo no que o Brasil e países em desenvolvimento podem proporcionar.
Como já era esperado o tema mais importante de discussão nesta Assembléia Geral da ONU é o pedido de admissão da Palestina como o 194º estado-membro da ONU e seu reconhecimento como  país independente.  Mais de cento e vinte membros da ONU já reconheceram oficialmente a Palestina. A Presidente Dilma inicialmente felicitou o Sudão do Sul por ser admitido como o 193º estado-membro da ONU, acrescentando que esperava que a Palestina se juntasse às Nações Unidas como o novo estado-membro. Marcou posição para o reconhecimento da Palestina por ser a primeira oradora abrindo a Assembléia Geral. 
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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