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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 24/09/2011 00:00:00

Ainda a Cultura

Transcrevo abaixo artigo publicado em 19 de fevereiro de 2005, na minha coluna “Búzios em movimento”, do Jornal Armação dos Búzios. Com algumas alterações, o texto não perdeu a atualidade. 
‘Na introdução de seu ensaio intitulado “Cultura e Desenvolvimento”, apresentado pelo pintor e escultor Fernando Naxcimento aos candidatos a Prefeito, no ano passado, escreve ele: “As diferenças entre regiões, localidades, cidades, entre gerações e entre grupos sociais são, sobre tudo, diferenças culturais. “É preciso deixar de considerar o desenvolvimento cultural como um luxo supérfluo e reconhecê-lo como um motor de desenvolvimento econômico e cultural.’
Uma das primeiras manifestações da cultura buziana foi o Festival de Cinema, criado e organizado por Mario Paz, com patrocínio de uma multinacional. As esculturas em madeira de Mudinho estão espalhadas por vários colecionadores e até hoje não foi criado um espaço especial dedicado ao artista buziano, como é o caso da Casa José do Dome, de Cabo Frio. Antônio Câmara, o Toninho Português, conseguiu como Secretário de Cultura, em pouco tempo e sem dinheiro, realizar festivais de teatro estudantil, atividades circenses e criar uma escola de Música, a Villa-Lobos, que cresce dia a dia.
Quando comparamos o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura de Búzios com a de municípios vizinhos, ficamos em triste situação. A Casa de Cultura de Araruama desde muitos anos tem atividade fértil, o Centro Cultural Manoel Camargo de Arraial do Cabo, a Charitas e o Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio, mais a Casa de Cultura de Rio das Ostras, todas essas entidades culturais têm uma importância relevante na região. Meu contato com essas instituições foi direto, em todas tive oportunidade de expor meus trabalhos de cerâmica. Pode-se alegar que são municípios mais antigos, mas isso não justificaria Búzios patrocinar somente um festival de cinema e shows de música popular.
No Brasil a improvisação muitas vezes é a grande norma, mas educação e cultura são concepções sérias demais que não permite improvisação. É fácil ter um projeto, uma idéia, uma sugestão, mas esse projeto deve ser bem estudado e analisado.
A Associação de Arte e Cultura de Búzios, que reúne artesãos, artistas, músicos e toda uma gama de operários da cultura, preparara, em junho do ano passado, um documento intitulado “Formulação de uma Política Cultural” para apresentação aos candidatos a Prefeito. Documento conciso (candidatos são sempre muito ocupados) que passo a citar somente os assuntos estudados.
Aspectos Culturais: 1. Levantamento das disponibilidades culturais;  2. Calendário cultural 3. Valorização do artista local; 4. Conselho de Cultura; 5. Museu da Cidade; 6. Casa da Cultura
Aspectos Sociais: 1. Captação de recursos e incentivos à exportação; 2. Divulgação nacional e internacional; 3. Turismo cultural; 4. Valorização da Feira de Artesanato da Praça Santos Dumont; 5. Intercâmbio com outras cidades brasileiras e estrangeiras.
O documento da Associação de Arte e Cultura de Búzios apresenta pontos comuns com o estudo de Fernando Naxcimento. Ambos documentos pedem a criação de um Conselho de Cultura que, nas palavras da Associação, seria “composto de representantes voluntários de vários segmentos da sociedade buziana ligados à cultura” que teria caráter independente da Secretaria de Cultura e cabendo opinar sobre a política cultural, trabalhando juntamente com o Secretário de Cultura, avaliando projetos e fazendo sugestões no campo da Cultura.
Fernando Naxcimento escreve: “Um Conselho de Cultura sem vínculo empregatício, ligado à Secretaria de Cultura, formado por representantes da cultura buziana. Órgão consultivo com a responsabilidade de determinar a excelência da produção artística e cultural de mobilizadores culturais buzianos por meio de um Selo de Qualidade Cultural, para capacitá-los, juntamente com os diversos órgãos da classe (Associação de Arte e Cultura, Associação dos Músicos, etc.) a gozar dos benefícios da BAB e de outras iniciativas de fomento e incentivo da municipalidade. O Selo de Qualidade Cultural será uma marca de excelência para os produtos feitos em Búzios. O Conselho de Cultura também terá voz na avaliação dos diversos projetos e eventos que aportarem na Secretaria de Cultura.”
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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