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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 27/08/2011 00:00:00

Era da individualidade

Ainda procurando a sua cara metade
O amor romântico, idéia prática de sobrevivência pouco romântica, partia do princípio de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Com a tecnologia avançada, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o medo de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas se percebiam fração, mas hoje são mais inteiras, acabou a “cara metade”. As relações estão passando por grandes transformações e revolucionando o amor. A relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar, não tem mais lugar, pois o que se busca hoje é a individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto.  A idéia de uma pessoa ser solução para nossa felicidade está acabando.
Um se adaptar ao projeto do Outro está morrendo. A busca agora é a parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.  Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso mais do Outro. O Outro, com o qual se estabelece uma ligação é somente um companheiro de viagem.
 Individualidade
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor tem nova cara e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguem se conectar com sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso, dá dignidade à pessoa.
As novas relações afetivas são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do passado.
Singularidade
Não somos referencia para avaliar ninguém, somos seres singulares. O Outro pensa e age diferente de nós. Ao percebermos isso, nos tornamos menos críticos e mais compreensivos quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi reinventá-lo ao nosso gosto. Ficar sozinho de vez em quando é saudável para estabelecer um diálogo interno e descobrir nossa força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia, a energia vital e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de si mesmo, e não a partir do outro. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais criativo e abundante onde há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

LuizGurivitz – psicólogo. Rua das Pedras, 04
Sobreloja – Búzios. (22) 2623-1080
 

Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz

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