Atualizado em 13/08/2011 00:00:00
Durante o enterro da Juíza assassinada na noite de quinta-feira (11) o presidente do TJ- RJ Manoel Antonio Rebelo afirmou que crime não ficará impuneA juíza Patrícia Lourival Acioli foi assassinada com 21 tiros disparados praticamente a queima roupa no início da madrugada de sexta-feira (12), ao parar o Fiat Idea de sua propriedade no portão de sua casa em Niterói. Segundo testemunhas, homens encapuzados que estavam em dois carros e duas motos efetuaram os disparos antes mesmo que ela saísse para abrir o portão, já que não dispunha de equipamento eletrônico para fazê-lo.
Única a julgar processos de homicídios em São Gonçalo, a juíza era conhecida por uma atuação rigorosa contra a ação de grupos de extermínio.
A polícia informou que ainda não tem pistas das pessoas que cometeram o crime e que ainda não tem uma linha de investigação definida. Apesar de terem tomado o depoimento de seis vizinhos da magistrada, os policiais ainda não sabem, por exemplo, se a ação foi cometida por quatro homens, em duas motos, ou se um carro também auxiliou na ação.
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou que o Estado irá colocar à disposição dos magistrados escolta composta por policiais militares e civis.
Sérgio Cabral manifestou-se sobre o caso e prometeu apuração rigorosa sobre a real motivação da morte. A pedido do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal também vai investigar o caso.
Decisões judiciais
Entre algumas decisões da magistrada estava a prisão de policiais militares de São Gonçalo que sequestravam traficantes para depois matá-los.
O nome da magistrada estava em uma ‘lista negra’ feita por Wanderson Silva Tavares, o ‘Gordinho’, preso no Espírito Santo em janeiro deste ano e supostamente chefe de uma quadrilha de extermínio que agia em São Gonçalo.
Em setembro do ano passado, em entrevista ao jornal ‘O Globo’, a juíza afirmou que não tinha medo de decretar prisões.
‘Não tenho medo de ameaça. Quem quer fazer algo vai e faz, não fica ameaçando. Ninguém morre antes da hora. Sei que, no imaginário popular, a juíza é quem faz tudo, mas é a polícia que investiga, são os promotores que fazem a denúncia e é o júri que julga’, afirmou na época, tentando explicar a fama de durona que tinha na cidade.
Crime não vai ficar impune diz presidente do TJ
O ex-marido, pai de duas filhas da vítima —uma com dez anos e outra com 12—, afirma que a Justiça nunca disponibilizou um veículo blindado à juíza.
‘Nunca foi disponibilizado o carro blindado. Não existe isso para nenhum juiz de primeiro grau. Houve falha. O sistema falhou. Estamos vivendo um momento crítico. A bandidagem está perdendo o medo do Estado’, disse.
O presidente do TJ-RJ, Manoel
Alberto Rebelo dos Santos, presente ao enterro realizado no cemitério São João Batista na tarde de ontem (12), afirmou que a Justiça não pode impor escolta aos juízes.
‘Você não pode impor segurança ao juiz. Imagina você ser seguido por três policiais aonde for? O juiz vai a uma festa, os policiais estão junto. Se ele vai ao banheiro, três policiais o aguardam. Posso afirmar que esse crime não vai ficar impune. Vamos pegar esses bandidos nos rigores da lei. Tudo será apurado’, afirmou Rebelo.
Colaborador: Redação
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