Atualizado em 13/08/2011 00:00:00
Coisa de criança, colar chiclete na carteira do colega, caçoar do corte de cabelo, rir do cacoete dos amigos... Mas agora isso ganhou um nome sério e resolvido por adultos, professores e até juízes: bullying! Mas o bullying não é necessariamente um problema para que adultos interfiram no relacionamento de seus filhos ou alunos. Picuinhas entre crianças e adolescentes devem ser resolvidas pelos próprios envolvidos sem interferência de adultos.
Não acho que, necessariamente, crianças e adolescentes devam trocar socos na saída do colégio, nem acho que apanhar faz bem, mas a disputa é saudável, é um rito pelo qual passamos no inicio da vida para aprender a enfrentar as encrencas maiores do futuro, na vida adulta. Afinal, fazemos isso desde as eras mais remotas, desenvolvendo o instinto de sobrevivência, um traço adaptativo da humanidade, disputando a caça para alimento, perpetuando a espécie e a reprodução. Os homens aprenderam a usar a força física e as mulheres habilidades mais sutis como agressões verbais, fofocas e rumores.
Se no passado essas táticas garantiam a sobrevivência, hoje nos ajudam no convívio social. Quando as crianças deixam o conforto do lar para frequentar o colégio, descobrem que nem sempre suas vontades são atendidas. Precisam aprender a negociar, a disputar um lugar ou um emprego no futuro. Sem passar por isso, será mais difícil lidar com um desafeto no futuro, com um chefe, com o síndico do prédio ou com aquele amigo que pega dinheiro emprestado e nunca paga.
O resultado de superação destes embates se reflete na personalidade dos adolescentes que amadurecem mais cedo e se tornam donos de maior competência social. Não só aprendem a reagir ao menosprezo, pressão e sarcasmo, como também ganham status no colégio e são classificados como alunos com melhor comportamento e aproveitamento escolar.
Os que defendem a superproteção de crianças e adolescentes esquecem que passamos pelas mesmas situações no colégio e agora julgamos com severidade as atitudes de crianças, com base em valores adultos.
Essa linha de não intervenção defendida por muitos psicólogos é polêmica, pois para os críticos, simples desavenças podem causar conflitos mais graves criando marcas físicas e psicológicas. Mas eu um ponto as duas linhas de pensamento concordam: quando a briga se repete, se prolonga e só um lado sai perdendo é porque a criança já entra no conflito derrotada, sua capacidade de disputa está comprometida e é hora dos adultos, pais, professores e psicólogos estarem atentos e entrarem em ação.
Muitos adultos trazem da infância dificuldades de relacionamento social e baixa autoestima, criando doenças de fundo emocional, atrapalhando a vida profissional e pessoal, a capacidade de manter relacionamentos estáveis e vivendo à sombra dos pais.
LuizGurivitz – psicólogo. R. das Pedras, 04 –sobreloja – Búzios. (22) 2623-1080
Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz
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