Atualizado em 09/07/2011 00:00:00
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, assinou no último dia 6, um decreto que cria 20% de vagas para negros e índios em concurso do estado. Este decreto foi de certa forma uma homenagem póstuma ao senador Abdias do Nascimento, militante dos direitos humano e étnico racial.
Muitos não são a favor das cotas. Algumas pessoas, negras inclusive, também são contra, alegam que este tipo de instrumento externa uma triste evidência: o negro não é capaz de competir com seus próprios méritos. É polêmica esta questão, mesmo considerando que já existem cotas há anos para mulheres e deficientes.
A questão do negro passa por um período histórico neste país. A lei Áurea foi a lei mais curta da história da humanidade: ‘ Liberto todo negro deste país e revogo qualquer dispositivo contrário’. Não houve preocupação com a educação, saúde, cultura ou qualquer outro direito que temos nos tempos atuais. O reflexo desta situação que durou décadas, é sentido agora.
Segundo pesquisas recentes de organismos que trabalham com estudos étnicos, se as pessoas de etnia branca parassem hoje com qualquer atividade que envolvesse informação e conhecimento, o negro (a) brasileiro precisaria de 16 anos para equiparar-se a ele.
Um amigo ativista lá do sul citou um exemplo interessante: Ele tinha oito porquinhos e quatro destes nasceram com peso menor, desta forma permaneceram algum tempo. Preocupado, ele passou a observar. Num determinado momento, ele percebeu que os maiores tomavam o espaço dos outros, não permitindo que estes mamassem na ‘mãe’. Então veio a seguinte idéia: ele segurou por bom tempo os maiores e deixava os menores mamarem. Quando o grupo chegou ao mesmo tamanho, ele soltou todos, porque aí então iria acontecer uma disputa justa pela alimentação.
Não pode se comparar um jovem que nasceu numa família com ótima situação financeira, em que não tem outra preocupação a não ser estudar a um aluno pobre, que tem que estudar e trabalhar para se manter e ainda ajudar a família. A disputa é injusta! Um aluno rico, não deveria disputar ‘mano a mano’ a mesma vaga com um aluno pobre para prestar a mesma prova.
E assim são as cotas. Elas duram certo tempo, até o negro ser ressarcido do seu prejuízo histórico. Depois, postos no mercado, disputarão igualitariamente, e que vença o ‘melhor’.
Um fato considerado por muitos é a questão das cotas sociais, pois atingiria também o pobre não negro que sempre estudou em escolas públicas. Aliás, este tipo de ação afirmativa que foi costurado, na câmara dos deputados, para aprovação do Estatuto da Igualdade Racial é também uma boa iniciativa. Nas cotas para negros, foi considerado outro fator: Nas favelas e nas periferias onde se encontram as camadas menos favorecidas, mais de 70% são constituídas de afros. É possível fazer acontecer!
Colaborador: Guilherme Barcellos
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