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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 10/06/2011 00:00:00

Eu e o PT

A formação do Partido dos Trabalhadores (PT) tinha um propósito idealista, que se fosse levado a sério, teria feito uma grande diferença, com os núcleos que discutem e dão espaço aos vários segmentos sociais. Era o que mais me atraía.
Na segunda tentativa de Lula à presidência, eu morava ainda no Espírito Santo, onde ocorreu minha primeira filiação. Lembro como eram concorridas as reuniões.
Atualmente sou secretário do partido em Búzios, além de pertencer ao núcleo de Combate ao Racismo e da coordenação contra a Intolerância Religiosa a nível estadual, mais pela militância e por ter espaço ainda para discutir estas questões.
Desde que Lula assumiu a presidência da república, vários companheiros ficaram com o ‘pé atrás’ com algumas coisas que estavam acontecendo no PT.
O mensalão foi o início de algo podre, que tirou, de certa forma, a admiração que milhares de filiados tinham pelos quadros históricos na luta contra a ditadura. Várias situações ruins começaram a surgir, o que infelizmente não dá para narrar neste espaço.
A volta do Delúbio (Soares, Tesoureiro do partido na época, e um dos principais envolvidos com o mensalão) me fez ver que o mesmo grupo que outrora cometera erros gravíssimos para com a nação, envolvidos naquele escândalo, estava novamente atuando para o retorno dele às fileiras petistas. Fiquei decepcionado.
Está difícil separar o PT dessas pessoas, pois são eles que comandam o partido a nível nacional. É muito triste saber que se tornaram parecidos com o que sempre denunciamos em outros partidos e pessoas.
O PT é o único partido que estabelece legitimamente a eleição democrática entre os seus filiados para ocupar os cargos internamente. Isto muito me agrada, mas mesmo assim me leva a outra reflexão: será que estou como milhares de companheiros, servindo de massa de manobra? As decisões vêm sempre destes que infelizmente eram autores daquela época cinza que passamos e que não está tão distante. A base sempre foi o alicerce do partido, pois dela é que vem a força que pode modificar o quadro eleitoral, forma opinião, dentre outras situações. A militância do PT sempre foi conhecida pelo seu empenho, mas está sumida também.
Mas esta mesma base, hoje, está muito distante das decisões partidárias, ela atualmente vem servindo somente a interesses dos comandantes e suas correntes... E o que é pior, está dividindo demais os filiados pelo Brasil afora. Em alguns casos, aqui mesmo em Búzios, promove o distanciamento de pessoas que antes eram bons amigos, e agora se olham com certa ira nos olhos. Cabe a cada um fazer a própria reflexão, mas é o que está posto, sem sombra de dúvidas. Neste momento estamos vivendo outra situação, que é o enriquecimento do ministro Palocci. Nada contra, qualquer pessoa tem este direito, a não ser que seja por caminhos estreitos e que vão de encontro aos meios legais, embora ele afirme o contrário. Agora apareceu, falou, mas não disse e se afastou do centro das discussões, ou melhor, foi empurrado, caindo pela segunda vez, e desta, não foi o Francenildo dos Santos Costa. Isto me leva a uma fala do governador da Bahia, JaquesWagner: “a imagem mais fiel do que está acontecendo, é um cara vestido de macacão largo, camisa florida,chapéu de florzinha, nariz vermelho e, no fundo, o circo pegando fogo”.
É possível fazer acontecer!
 

Colaborador: Guilherme Barcellos

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