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Quarta-feira , 23 de May 2012

Atualizado em 28/05/2011 00:00:00

Perdemos um herói, estamos de luto, mas temos que continuar...

Com muita tristeza recebi a informação de um amigo há alguns dias, de que atrás que o nosso eterno senador Abdias do Nascimento estava mal de saúde. Na última terça-feira, este amigo em prantos, me informou que o companheiro Abdias havia morrido.

A idade vai chegando e a dor que sentimos ao perder alguém, vem com um efeito emotivo diferente, difícil de explicar...

 

Abdias do Nascimento foi o nome que em toda e qualquer manifestação sobre a igualdade racial era lembrado, quando não se fazia presente, principalmente aqui no Rio de Janeiro. Militante ferrenho dos direitos humanos, Abdias também foi secretario de estado, deputado federal e senador. Em 1964, ‘às portas’ da ditadura, criou o ‘ Teatro Experimental do Negro’, uma espécie de resistência e caminho para que muitos negros (as) pudessem exercitar sua veia artística e ao mesmo tempo se conscientizar sobre a necessidade da luta contra as desigualdades.

 

Num momento em que todos os tiros estavam direcionados para a sociedade civil, o nosso Abdias, juntamente com outros nomes, no difícil trabalho de conscientização dos direitos humanos, não recuava. Foi exilado político, e quando voltou se engajou novamente na luta pela igualdade.

 

A perda, ou melhor, a passagem deste homem para o mundo espiritual, fará falta em todo Brasil, tenho certeza. Em alguns momentos, quando estou separando determinados temas da coluna e algumas matérias do PH em que a temática é inerente ao nosso trabalho (para quando chegar o momento da publicação do nosso livro), vejo este material com certo saudosismo. A história, que no passar dos anos tentamos construir com a parceria do PH, com esta ‘porta’ que nos foi aberta, e observamos a quantidade e qualidade dos heróis que perdemos nestes últimos anos.

 

A tristeza bate, e surge infelizmente uma pergunta dentro da realidade de cada militante que luta para que tenhamos um país mais igual para todos: quem será o próximo, considerando que nossos heróis vivos estão com idade bastante avançada e não tivemos capacidade de ‘construir’ outros?

 

A s divisões sempre constantes, e aí não é só um atributo do negro, não estão fazendo bem para nenhuma entidade da sociedade civil organizada. O tempo em que nos dividíamos internamente e quando íamos para a rua, superando as diferenças e caminhando num norte único, já se foi. Hoje, o que vejo com mais freqüência, são trabalhos feitos por pequeninos grupos ou individuais, por pessoas conscientizadas, mas perceberam que trabalhar em grupo é um tanto complexo...

 

Creio que é o momento dos grupos e pessoas fazerem uma reflexão, tendo em vista que não podemos perder o direito de exercer nossa cidadania, e se for de forma organizada o resultado pode ser satisfatório. O nosso sempre ‘senador Abdias’, com certeza ficará feliz e confortado espiritualmente com os acertos de opiniões e divergências, que na maioria das vezes estão sendo nocivas para todos. Partindo do princípio que ela não termina após as discussões, pelo contrário, os envolvidos saem carregados de mágoas e rancor, levando o tema da conversa das reuniões para as ruas, confundindo o que é o direito ao exercício da democracia com algo pessoal, totalmente negativo.

 

Ainda creio que não é difícil ‘se juntar’, respeitando o perfil de cada um. Somos fortes e crescemos a cada experiência vivida, reconhecendo o erro e evoluindo a cada dia, antes que seja tarde demais, pois corremos o risco de ficar só olhando o 'barco passar', sem oferecer o mínimo de contribuição social. Vá com Deus Abdias, e, obrigado por tudo!

É possível fazer acontecer!

Colaborador: Guilherme Barcellos

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