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Quarta-feira , 22 de May 2012

Atualizado em 09/04/2011 08:00:00

Homofobia e Racismo no Esporte

?Vi um estádio inteiro me chamando de bicha? (Michael, Jogador de vôlei)

Em 1999, o jogador de vôlei Luiz Cláudio Alves da Silva, o Lilico, falou publicamente que era gay. Fez a revelação para se queixar do fato de que sua orientação sexual teria lhe fechado as portas da seleção brasileira. Doze anos se passaram, a homossexualidade no esporte permanece um tabu, mas o preconceito ‘expulsou’ Michael, do armário. No sábado, o Meio de Rede do Vôlei Futuro foi vítima de uma manifestação generalizada de homofobia vinda das arquibancadas do ginásio do Riacho, em Contagem (MG), casa do time rival, o Cruzeiro. Existem outros casos que ficam escondidos na história. Num passado recente, torcedores da Escócia jogaram uma banana em campo, na direção do jogador Neymar associando-o a um macaco, por ser afrodescendente. O deputado do Partido Progressista, Jair Bolsonaro, reafirmou recentemente, durante um programa televisivo, seu perfil racista: o alvo desta vez foi a cantora Preta Gil. O tetracampeão de futebol, Roberto Carlos, também foi alvo de racismo na Rússia.
As conquistas destes grupos, ainda denominados pela alcunha de ‘minorias’ têm incomodado os preconceituosos ‘de carteirinha’. Muitos anos se passaram para que os negros, mulheres, homossexuais, deficientes e outras camadas historicamente discriminadas conseguissem algum espaço em forma de ações públicas direcionadas.
Para os racistas e homofóbicos, era suportável a existência destas ‘minorias’ desde que ficassem debaixo do tapete ou dentro de um armário. Até mesmo pessoas que tinham negros ou homossexuais na família, faziam questão de não discutir esta temática, tornando estes completamente invisíveis.
Atualmente as novelas têm tocado insistentemente neste assunto, levando para o interior das casas estas discussões. Alguns canais de televisão também adaptaram em seus quadros, programas específicos onde acontecem debates inerentes a este público que vivia a margem da sociedade.
Outras ações mais amplas também contribuíram para este avanço. O Governo Federal criou a SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas Públicas para Igualdade Racial) com status de ministério. Na mesma proporção também foram os projetos para mulheres, homossexuais e outras classes que não eram vistas pelo poder público.
Muitos recursos estão dormindo em ministérios por falta de projetos municipais direcionados às ações afirmativas (que contemplam diretamente estes segmentos excluídos).
Estamos atrás de alguns países europeus e também dos Estados Unidos, no que tange estas ações governamentais diferenciadas. Mas algo está acontecendo, não podemos negar. As ‘minorias’ estão promovendo verdadeiros debates em busca de respeito e reconhecimento.
Alguns setores da mídia estão abrindo espaço para que variados temas sejam levados ao público, como já fazemos aqui no PH, que foi um dos pioneiros na região e no estado. As coisas estão acontecendo através de muita luta e isto está deixando os que de alguma forma criavam barreiras, inquietos. Estão buscando instrumentos, por mais arcaicos que sejam, para frear esta caminhada, mas não conseguirão, pois a cada dia mais e mais espaços serão conquistados visando uma sociedade mais igualitária. Estes racistas e homofóbicos não só guardarão seu racismo no armário, mas também terão que entrar junto com ele... pois acreditamos que com o tempo, não haverá espaço social para estas pessoas que semeiam o ódio étnico e preconceituoso.
È possível fazer acontecer!
 

Colaborador: Guilherme Barcellos

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