Atualizado em 02/04/2011 08:00:00
Já estávamos prontos para tratar de um tema que tem tomado a mídia nos últimos dias: o racismo no futebol. Mas, durante esta semana tive a infelicidade de assistir, pela TV, o lado homofóbico e racista do deputado Jair Bolsonaro (PP); aquele lado que está sempre guardado em seu bolso, e é usado, aliás, com muita freqüência (esta não é a primeira vez que discutimos sobre isso neste espaço).
Jair Bolsonaro foi convidado na noite da última segunda-feira para participar do programa CQC, da TV Bandeirantes, no quadro ‘O povo quer saber’. Na atração, personalidades respondem a perguntas oriundas de famosos e anônimos. O deputado foi questionado pela cantora Preta Gil, sobre o quê ele faria se seu filho namorasse uma negra. E ele respondeu: “Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”.
O primeiro ponto que percebi imediatamente à resposta, é que a educação que os filhos tiveram do pai é preconceituosa e racista, lembrando inclusive aquele provérbio popular que diz: ‘ filho de peixe, peixinho é’. Há muito tempo o ‘nobre deputado’ tem mostrado um comportamento preconceituoso. Ele entrou com ações contra as cotas, mas até aí tudo bem; é um direito dele. Por outro lado, costuma sair por ai com discursinhos baratos em prol da ‘família’, como se ter negro e/ou homossexual no berço familiar fosse crime, mostrando sua face preconceituosa.
É triste saber que este homem se elegeu e ainda emplacou o filho no legislativo estadual, mantendo esta linha de defesa. Sem esquecer que estamos falando de um militar do exército - classe que sempre alegou defender e deve ter recebido, sim, um bom número de votos. Ele também passou pela ‘caserna’, fala com saudosismo da ditadura, lembrando sempre dos generais Ernesto Geisel, Garrastazu Médici e Figueiredo, que foram presidentes daquele regime autoritário.
E pensar que este deputado ainda faz parte da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Seria cômico, se não fosse grave. Dói em ver ainda a defesa do ‘peixinho Flávio Bolsonaro’, cria do mesmo aquário, dizendo que o pai entendeu errado. Alegou que ‘ele não é racista nem homofóbico, é apenas contra as cotas e à apologia ao homossexualismo’.
Desta vez, creio que este posicionamento do Bolsonaro pode enfrentar, dentre outras, quebra de decoro e crime de racismo. Diversas personalidades e segmentos sociais estão buscando um caminho para que este parlamentar seja punido, embora ele diga que ‘está se lixando’. Sabemos que, lamentavelmente, ele pode somente ser enquadrado por injúria qualificada, o que pode lhe valer dois anos de detenção. Isso, se não tiver que pagar cestas básicas e multas, cujos valores dependem do juiz.
A biografia deste “político” ficou manchada, e é repugnante ter este homem no congresso. Escondido na capa da imunidade parlamentar, ele é um representante sim, mas das pessoas que semeiam o ódio a outras pessoas, preferindo, na maioria das vezes, terem suas armas apontadas contra negros, homossexuais e outras ‘minorias’. E o cara- de-pau falou ainda que irá processar a Preta Gil por tê-lo chamado de nojento e racista, pelo ódio que carrega no coração, se é que ele tem algum sentimento.
É possível fazer acontecer!
Colaborador: Guilherme Barcellos
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