Atualizado em 05/03/2011 00:00:00
Cada vez mais, a mistura étnica esta presente no samba. Quando falo ‘samba’, estou me referindo a este ritmo de uma maneira geral.
Houve um tempo na história brasileira (e principalmente carioca, se for levado em conta que o nosso samba teve a ‘sorte’ de servir de referencial por este país afora), que o sujeito quando era parado numa situação de ‘batida policial’ (era o nome usado na época) e se por ventura tivesse em seu poder algum tipo de instrumento musical, era taxado de malandro e automaticamente enquadrado pela policia por ‘vadiagem’.
Hoje percebemos que esta arte musical denominada ‘samba’ se tornou uma parte do povo brasileiro. Negros e brancos, pobres e ricos se misturam e se tornam ‘iguais’ por certo tempo, principalmente nesta época de carnaval, e as escolas de samba refletem essa mistura.
Uma fala empírica diz que ‘religião e time de futebol’ não se discute, porém, também vejo o samba sendo agregado a este ‘dito popular’, no que tange as escolas de samba.
Estas agremiações com investimentos milionários se tornaram profissionais no que fazem, fomentam a criação de emprego, participam ativamente da economia, e o que é mais satisfatório para os ‘patrões’, fazem com amor.
As comunidades têm pela escola do coração verdadeira adoração, é quase uma religião.
Se juntando a este grupo, chegam à classe mais favorecida, tendo a frente artistas e jogadores de futebol. É um novo time que se junta para fazer deste samba o maior carnaval do mundo.
A discriminação e o preconceito não são palavras lembradas nesta harmonia social. Temos como exemplo a Grande Rio que teve a maior parte de suas fantasias queimadas no incêndio e logo no dia seguinte, diversos artistas e membros da sociedade carioca se misturavam aos trabalhadores da escola na tentativa de reconstruir tudo que foi perdido. Não era difícil ver nos casebres da comunidade, a mistura de famosos e anônimos, na mesma intenção, reconstruir.
Essa energia harmoniosa poderia ser usada no cotidiano fora desta época carnavalesca, pois teríamos a possibilidade de ter um Brasil com menos desigualdades, é uma pena.
Mas, enquanto isso não acontece, cabe a nós torcer para que esta que é a maior festa do planeta transcorra na maior paz possível e estas pessoas estejam acima de tudo somente com vontade de se divertir intensamente, e eu, fico por aqui, e como não sou de ferro, desejo a Mocidade Independente Padre Miguel, que faça um belo desfile e se possível ‘ganhe o caneco’, e viva o samba!
Colaborador: Guilherme Barcellos
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