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Terça-feira , 22 de May 2012

Atualizado em 15/01/2011 00:00:00

Sou mulher, gay, judia, negra, deficiente, cigana... algum problema?

Um grande ‘rio de ódio’ banhou os ataques recentes homofóbicos tanto no Rio de Janeiro e em São Paulo, não esquecendo outras partes do Brasil que não tiveram uma divulgação maior da mídia. São gestos discriminatórios que insistem em continuar mesmo sabendo estes insanos das possíveis punições. A intolerância contra gays, de forma gratuita é uma estupidez tão grande que deveria levar os nossos parlamentares a buscar mecanismos que possam verdadeiramente punir estes agressores.

A ignorância destes grupos também é responsável por grande parte do racismo, homofobia e intolerâncias religiosa.

Esta luta não deveria ser somente de pessoas que militam em fileiras de combate à discriminação e às vitimas. Esta luta é da sociedade, independente da religião ou opção sexual. Já passou da hora de uma posição mais firme contra estes indivíduos, pois num futuro bem próximo, outros poderão ser ‘escolhidos’, neste processo arcaico de discriminação que insistem em permanecer nas ‘ cabecinhas’ destes preconceituosos.

As brincadeiras de cunho homofóbico e discriminatório, que só agrada a determinados grupos, não devem ser permitidas, pois é uma nascente para uma violência futura. As diferenças físicas, opção sexual ou religiosa pertencem a cada um, porém a tolerância a violência, enquanto não chega a nossa casa, não é percebida. Foi assim na ditadura e em outras formas de governos ditatoriais.

Este tipo de comportamento lembra o dramaturgo alemão Bertold Brecht, em mais uma das suas brilhantes colocações contra o sistema nazista:

‘Ontem levaram o jornaleiro e o dono da mercearia, hoje levaram meu vizinho, amanhã eles podem entrar na minha casa e levar alguém da minha familia... ’

Quando estas pessoas chegarem mais perto de nós, talvez seja tarde para alguma reação, cobrando às autoridades que algo seja feito. Grande parte da sociedade não se manifesta, fingindo não perceber a gravidade destes ataques de intolerância, considerando sempre que este é um problema do outro. Deveríamos seguir a mesma linha de defesa a favor dos direitos das camadas que são vitimas da discriminação, com a mesma intensidade que usamos para defender nossos familiares quando sofrem algum tipo de violência. Seria mais digno e nobre, pois qualquer pessoa pode ter na sua familia, praticantes de religiões afro, homossexuais, negros, judeus ou outros, que são historicamente vítimas da violência preconceituosa. Quem sabe ainda exista chance de aflorar em cada um de nós a força que tem estas palavras de Bertold Brecht:

Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam um ano, e são melhores. Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons. Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.’

É possível fazer acontecer!

Colaborador: Guilherme Barcellos

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