Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Terça-feira , 22 de May 2012

Atualizado em 11/11/2010 00:00:00

Reféns! Quem são os sequestradores?

Fachadas, financiadas pelo tráfico, escondem ?respeitáveis? e impulsionam o tráfico de drogas gerando mais violência

Os buzianos podem estar reféns da violência, e esta violência pode ser resultado da asfixia ao crime, promovida na Capital num programa que está sendo executado pelo governo do Estado. Este não é, com certeza, o único motivo.
Como a violência é irmã siamesa da droga, a sociedade e as autoridades devem apontar os verdadeiros sequestradores da população buziana, que hoje se encontra numa situação de refém. Não seriam estes ‘sequestradores’ na verdade, respeitáveis e, por vezes, homenageados cidadãos que estão entre nós, embalados pelo vício, associados na distribuição, ou mesmo partícipes do processo de organização do tráfico da droga em nossa bela Cidade?
Vêem-se muitos personagens jogando com fachadas, denunciando a violência, que de fato ganha espaço no dia-a-dia do buziano. Mas esses mesmos agentes que reportam a violência nada falam sobre um dos principais componentes da gênese desse processo: a droga. Seja pelo consumo, pelo tráfico, ou pela simples apologia da mesma. Uma das raízes da violência, que assusta moradores e freqüentadores de Búzios, está atrás dessas fachadas, escondidas (e protegidas) por ‘figuras respeitáveis e personagens homenageados’ cidadãos, que se colocam acima de qualquer suspeita.
 
A violência cresce na proporção que se disseminam o tráfico e o consumo da droga
 
A Operação Consórcio, amplamente divulgada pela mídia nacional e nesta Cidade por este Jornal, trazida a público por um decreto coletivo de prisão expedido pelo Juiz João Carlos Corrêa, puxou o fio de um grande novelo. Infelizmente, o núcleo deste novelo, segundo alguns críticos da farsa que embala parte da sociedade buziana, permanece escondido, protegido pela hipocrisia de segmentos desta mesma sociedade, num constante clima de festa, sugestionando que todos compactuem em silêncio, num estado de apatia surda, muda e cega, quando o assunto é consumo e tráfico de drogas.
Não pode o Conselho Comunitário da Segurança Pública, como escreveu na sua última ata, fazer um registro de que o ‘traficante’ aqui em Búzios é alguém que faz a droga circular, como forma de custear o seu próprio vício. Essa é uma abordagem romântica, de uma ingenuidade que favorece somente ao traficante de drogas.
O Jornal Primeira Hora  tem sido afirmativo e ativo quando se trata do tema Drogas. Mantém a coluna ‘Drogas Matam’, desde seus primórdios. Várias vezes abordamos o tema, seja como editorial, seja como conteúdo de matérias. Reconhecemos, contudo, que ações estritamente policiais não serão suficientes para o controle da praga deste século, mas, sim, políticas sociais, especialmente as inclusivas, sobretudo na área da Educação, Esporte e Lazer, nas ações em conjunto com as famílias, tornando o potencial usuário da droga, num ‘viciado’ em atividades saudáveis e socialmente corretas.
Búzios precisa reagir e buscar verdadeiramente livrar-se da hipocrisia, do falso glamour, dos comportamentos ofensivos e anti sociais forçadamente interpretados como ‘manifestações irreverentes’ de uma gente ‘descolada’, que vive em 2010 como se estivesse nos anos 70. A Cidade precisa jogar um foco de luz sobre as caras, ou ‘os caras’, que ainda se apresentam como os maiorais. Gente que na verdade age há muitos anos no submundo, traficando e consumindo todo tipo de droga. É preciso que se revelem todos os que, escondidos em glamourosas fachadas financiadas pelo tráfico, vem se perpetuando ao custo de uma pesada tragédia social, que se abate sobre toda a sociedade buziana.
Precisamos reagir já, pois o risco de termos todas as nossas energias esvaídas com rapidez graças ao silencio ‘imposto’ pelos auto-proclamados ‘irreverentes’ é iminente.
A permanecer a apatia, o já roto tecido social buziano alcançará níveis irrecuperáveis de deterioração.
 

Colaborador: Redação

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