Atualizado em 05/09/2010 00:00:00
Foto aérea da Pousada Barracuda, onde existiam Habite-se sobre módulos nunca
O ex-secretário de Planejamento e Meio Ambiente do governo Toninho Branco, arquiteto Octávio Raja Gabaglia, ainda no exercício dos cargos, vendeu a sua a pousada, conforme uma Escritura de Compra e Venda de Cessão de Direitos de Ocupação, em 7 de junho de 2005, a Barracuda, por valor US$ 2,3 milhões de dólares americanos, creditados no Citibank no exterior em favor do próprio Octávio Raja Gabaglia. Nesse negócio, constavam 14 bangalôs, conforme Certidão da Habite-se/Aceite nº. 154 de 2008, assinado por Dhanyelle Garcia Gomes, então Diretora de Licenciamento. Entretanto, desses, 7 bangalôs até hoje não existem. O projeto, bem como a responsabilidade técnica é do mesmo arquiteto Octavio Raja Gabaglia. A informação sobre os Habite-ses falsos emergiu, quando a senhora Francisca da Silva Linnere procurou a Prefeitura recentemente, para pedir renovação de licença de obras, e regularizar algumas situações pendentes sobre o imóvel adquirido do então secretário. A equipe de Fiscalização da Prefeitura esteve no local da Pousada Barracura, na Ponta da Sapata, e não encontrou os 14 bangalôs, apesar de constarem na área descrita pelos ‘habite-se’. - Lembro-me, quando pela primeira vez fui procurado pela dona Francisca. Examinei o processo administrativo de nº. 4237/98, o que me levou a perguntar-lhe, se ela compraria um carro usado do expresidente americano Richard Nixon, sugerindo que ela comprara ‘gato por lebre’ - ele tinha fama de picareta -, e passei a lhe relatar as impropriedades, os vícios, enfim, as irregularidades do processo do qual ela tinha posse, que me parecia um ‘empório de mão e contramão, enfim, uma cilada’. Deixei muito claro que, se ela comprara e pagara por algo com a perspectiva de trazer um futuro para o presente, ela teria feito mau negócio, porque teríamos que cancelar as certidões de habite-se, no meu entendimento falsos e criminosos - afirmou Ruy Borba. Para o atual secretário de Planejamento .o poder acumulado e, porque não afirmar, .enfeixado. na mão do arquiteto multiuso Octavio Raja Gabaglia lhe permitiu praticar atos, ou influenciar a prática de outros, alguns muito questionados mais tarde pelo seu próprio governo, resultando no Decreto nº. 511/2007, e com uma .tímida. recomendação do MP, para que fossem revisadas as licenças dadas por ele, para projetos seus, e de sua autoria, em área de preservação permanente (APP). disse o atual secretário de Planejamento - Nunca vi esse indivíduo (Octávio) ser chamado pelo Ministério Público, para prestar informações a cerca desses atos ilícitos, irregulares, errados e criminosos. Me lembro de ter comentado sobre isso com o promotor da ocasião, o Murilo Bustamante, mas nada foi investigado. Houve algum barulho no início, mas nada veio às claras. Mesmo numa ação popular, impetrada pelo então vereador Alexandre Martins, com base em informações do próprio prefeito na época, Toninho Branco, dando conta das irregularidades, a Promotoria que sempre encampa essas ações populares, nada requereu, nem investigou. O único resultado foi a demissão do então secretário do Meio Ambiente, Marcelo Haddad, num rumoroso caso de ameaças de morte ao Marcelo, que nunca foi suficientemente esclarecido, reportado pelos jornais como ‘bang-bang’ em Búzios - relatou Ruy Borba, rechaçando o secretário, entretanto, que ‘uma relação de amizade entre Murilo Bustamante e Octávio Gabaglia pudesse ter neutralisado uma ação mais enérgica do sempre vigilante MP’ em favor dos interesses da coletividade. - O que pode ter acontencido na época era o MP ter estado muito ocupado com toda essa operação de corta e cola, e ter deixado providências para mais tarde. Mas me parece que esse mais tarde se transformou no nunca. A jovem promotora Denise Vidal pediu inteiro teor de processos, informações a cerca das travessuras processuais do ex-secretário, mas não desceu do seu salto alto para agir, como deveria ter feito - acrescentou Borba. A emissão de habite-se sem a existência da obra concluída é crime Para o secretário Borba, ‘quando se fala de ‘habite- se’, não se pode deixar de reportar esse caso dos mais graves, mais irregular, que pode se constituir em crime de estelionato’. - Falar de venda de ‘habite-se’, parece que esse caso ultrapassa qualquer outro caso. O caso da Pousada Barracuda é singular, o seu projeto teve como autor e responsável técnico o próprio Octavio. Eu não sei se trazer o futuro para o presente fez parte do negócio. Mas se foi o caso, inflou o preço da venda, ou seja, vendeu na ocasião uma situação futura, ainda não consolidada, e cujo evento era incerto - concluiu Borba, que adianta que encaminhará o cancelamento desses ‘habite-se’, e fará a tomada de responsabilidades para esclarecer, quem afinal se beneficiou desses falsos documentos de habite- se concedidos durante o governo anterior, e que beneficiou um projeto do arquiteto, proprietário, e, então, secretário de Planejamento e do Meio Ambiente, Otavio Raja Gabaglia. - E veja que os atos lesivos não estariam sujeitos ao uso meramente ferramental de um ‘
liquidpaper., ou de etiquetas,
deixadas em gavetas
pré-assinadas. A
bandalheira foi feita na ‘cara
limpa’, planejada de forma
cuidadosa, certos da impunidade
devido às conexões
que sempre esse indivíduo
se gabara de ter aqui e acolá.
Já notifiquei a nossa Procuradoria
sobre isso, e
aguardo que ela faça a sua
parte - enfatizou Ruy Borba.
Colaborador: Redação
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