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Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 04/09/2010 00:00:00

Amigo Ricardo, eleitor do Serra... 

por Eduardo Almeida, mais uma vez falando de política

Pois é amigo, sei que você vai votar no Serra, afinal você fica entupindo minha caixa de e-mails falando mal da Dilma, do Lula e, por tabela, do Brasil.
Na vida aprendi que dois e dois tem de dar quatro, e você nas suas pichações faz a conta dar mais de quarenta.
Explico: você me diz que a Dilma foi terrorista. Isso tem mais de quarenta anos atrás. Ela era uma garotinha que, como nós, gostava dos Beatles e de Rock and Roll, e como vivíamos em uma ditadura... você sabia? Era uma droga. Você só ouvia música censurada, jornal censurado, televisão censurada. Em compensação não sabia de escândalos, de roubalheiras, de nada.
Bem, vamos lá, a Dilma garotinha achou que podia fazer alguma coisa pelo País. Isto chama-se ideal, sabia? Pagou caro por isso, foi em cana, tomou porrada, viu coisas que até mesmo Deus duvida.  Muitos dos colegas de Dilma, inclusive ela, foram para o exterior, muitos na marra e outros por medo.             
Os garotos “terroristas” no exterior, sem passaporte, sem cartão de crédito, sem planos de saúde e sem pai nem mãe, ficavam fazendo o que? Eles não tinham a mordomia que você tinha, praia, futebol, carnaval e verão nos trópicos. Ficavam estudando e trabalhando, mais escravos do que gente, lavavam pratos, eram baby sitter, cortavam cana em Cuba, quase morreram de frio e de fome. Mas ao fim de um tempo, tornaram-se craques em muitas coisas, ecologia, finanças, sociologia e por aí vai.
Depois veio a anistia e eles voltaram para casa. Já então casados, cansados, letrados e, principalmente, vividos. Como tinham competência se deram bem. A Dilma foi um monte de coisas, e você só fala que ela foi terrorista. Pô, amigo Ricardo, muda o disco, aliás, o DVD.
Você e outros colegas seus falam somente mal da Dilma e do Lula,  nem uma palavra do futuro do seu candidato, do que ele vai fazer. Tenho ouvido dele que ele não vai mudar nada, vai fazer apenas uma sintonia fina no atual modelo. Da campanha da Dilma você não escuta ela falar mal de ninguém. Caramba, que diferença de campanhas.                 
Depois, Ricardo, você fala do Evo Morales, do Hugo Chaves e outros. Você é assustado de agora ou desde criancinha? Quem deveria estar com medo seriam os nossos vizinhos, afinal ter um gigante como o Brasil do lado deve assustar. Nós é que seríamos os gigantes imperialistas, não eles, os anões imperialistas. Depois, você fala que o Lula emprestou ou doou milhões de reais para um país do oriente, sei lá onde, o Ramade, isto Ricardo é investimento, e isso é dinheiro que saí dado e volta multiplicado nos produtos vendidos pelo Brasil a estes países.    
Não é a toa que o Brasil subiu muito no ranking dos países desenvolvidos. Para você ter uma ideia de quem somos, veja lá, por exemplo o que é São Paulo hoje:
1- A maior frota de jatos particulares do mundo. Ultrapassou Nova York este ano; 2- A maior revendedora Ferrari no mundo. A segunda é Los Angeles; 3- A quarta revendedora Maseratti no mundo, segunda Porsche e segunda Lamborghini; 4- A única cidade com filiais Rolls e Bentley na América Latina, incluindo o México;5- A maior frota de helicópteros particulares do mundo. Nova York, Tokio... 6- A maior frota de aviões agrícolas do mundo; 7- 80 mil paulistas têm residência na Europa e Estados Unidos como segunda opção; 8- A maior quantidade de cavalos puro sangue árabes nas Américas, incluindo Estados Unidos; 9- O ganho médio de um garçon, pegando-se todos os restaurantes, é de US$ 1.700,00. 10- A cidade que tem o maior número de serviçais, seguranças das Américas;
Mas Ricardo, com todo esse luxo, o pobre nunca foi tão bem tratado no Brasil. Vocês falam das cestas, isso e aquilo, mas como vocês fariam? O próprio Serra não tem peito de dizer que acabará com as cestas que matam a fome do povo. Por isso, amigo Ricardo, vote no Serra, mas com esse tom de campanha e esses e-mails bobocas, estão mudando certas frases existentes, como “Dar a volta por cima” e “O sucesso subiu à cabeça”. Com esse nível vão criar novas expressões: “Dar a volta por baixo”, e “O fracasso subiu à cabeça”. Boa eleição, Ricardo, e ainda é tempo de mudar.
 

Colaborador: Eduardo Almeida

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