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Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 04/09/2010 00:00:00

Autoestima

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Um brilhante economista em sua coluna num jornal carioca chama de “complexo de vira-lata”. Justíssimo, os brasileiros são naturalmente modestos e não se vangloriam das conquistas de seu país como outros povos. Realmente, em tempos passados, talvez não tivéssemos muito que nos vangloriar, a não ser o maior exportador de café do mundo. O resto era a natureza, a floresta Amazônia e seu caudaloso rio, a beleza do Rio de Janeiro as praias de areias brancas. No princípio do século passado ficou famoso o livro de Affonso Celso
Por que me ufano do meu país.  E o “ufanismo” era criticado.
Mas hoje é diferente, realmente o “ufanismo” tem seu lugar, um competente lugar. Trabalho do povo, criação do povo, não recebido de graça pela natureza. Temos nosso lugar no mundo bem marcado, com cadeira cativa. Já há muito tempo deixamos de ser somente o grande exportador da café. Estamos em todas as esferas, a política, a econômica, a esportiva, a artística, a musical  e a literária.
Não sei quem batizou a única praça no centro de Armação dos Búzios com o nome do nosso maior inventor, Alberto Santos-Dumont. Fico feliz em morar numa cidade que tem seu principal logradouro publico em homenagem ao grande mineiro. Santos-Dumont foi uma personalidade realmente excepcional digna de ser mais valorizada e exemplo aos nossos estudantes. Desde pequeno, aos 12 anos já virara maquinista da pequena locomotiva a vapor que puxava os vagões na fazenda de café de seu pai. Seu interesse pela mecânica foi determinante para ser o primeiro homem a voar nos céus da Europa, competindo e ganhando de dezenas de europeus. Dedicação e trabalho e ainda a preocupação com os pobres e colaboradores,o prêmio conquistado por levar seu dirigível n° 6 a contornar a Torre Eiffel foi distribuído, metade entre seus mecânicos e operários, metade doada aos pobres de Paris.
Teve recursos financeiros suficientes para suas pesquisas com balões, dirigíveis e finalmente com o avião, o mais pesado que o ar. Com 18 anos ganhou de seu pai, em visita à França, um automóvel, de dois únicos fabricados pelo francês Peugeot, isso em 1891.
A vida de Santos-Dumont foi pouco esmiuçada até pouco tempo, apesar de vários livros e estudos de autores brasileiros. Um dos enigmas era sua saúde. O ex-Ministro de transportes inglês Peter Wykeham, em seu admirável livro Santos-Dumont: a study in obsession, creio foi o primeiro a estudar a doença que acompanhou Santos-Dumont durante toda sua vida, que não era conhecida, nem poderia ter sido diagnosticada em seu tempo de vida.  O livro não foi editado no Brasil, mas existe uma tradução francesa. Também, não há tradução brasileira do livro da americana Nancy Winters com o título de The Story of Alberto Santos-Dumont, Master of Balloon.  Felizmente, o mais completo estudo sobre Santos-Dumont é do americano, Paul Hoffman, Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the invention of Flight, publicado no Brasil com o título de Asas da Loucura, A extraordinário vida de Santos-Dumont, com 369 páginas e muitas fotografias. Paul Hoffman, ex-presidente da Enciclopédica Britânica, realizou uma intensa pesquisa para apresentar um trabalho completo, não só sobre a personalidade e contribuição do inventor para a aviação, mas também sobre o “ambiente aeronáutico” da época na Europa e nos Estados-Unidos.
Pouco interessa a pretensão americana de que foram os irmãos Wright os primeiros a fazer levantar do solo um aparelho mais pesado que o ar. Sim, foi antes de Santos-Dumont, mas escondidos, em segredo e utilizando uma catapulta. O “14-bis” de Santos-Dumont levantou vôo sem outra ajuda que seu próprio motor. O curto vôo, presenciado por centenas de pessoas, foi público e cronometrado. Santos-Dumont recebeu aclamação de toda a Europa, conquistou o prêmio prometido. Mais tarde seu avião “Demoiselle” foi copiado e produzido em vários países e até nos Estados-Unidos. Era um altruísta, queria o progresso. Nunca pensou em ganhar dinheiro com suas invenções. Homens assim são raros, muito raros.
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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