Região dos Lagos e Norte Fluminense

Jornal primeira hora Jornal primeira hora
Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 26/08/2010 00:00:00

Traqueobronquite infecciosa

499237Este cocker dourado e branco aguarda seu dono, ou quem o adote há duas semanas. Contato: (22) 2623-2064.

Foto: Divulgação

Nesta época do ano, fria e com muitos ventos, de uns tempos para cá, tornou-se rotina na vida dos veterinários receber chamados urgentes de seus clientes, pois seus cães parecem engasgados com alguma ‘coisa’. E quase sempre, por alguma coincidência, o jantar da véspera conteve peixe ou frango. ‘Doutora, acho que o Bob está entalado!’ Pode até ser que sim, mas também pode ser que ele tenha sido contaminado pela Bordetella pertusis, bactéria parente daquela que causa a nossa coqueluche, que afeta os cães. Esta bactéria provoca uma inflamação da traquéia e brônquios do cão, que se manifesta por episódios de tosse, que podem ser intensos ao ponto de causarem até vômito.

Esses episódios agravam-se bastante à noite e durante esforços físicos. O animal se contamina através da inalação do ar contaminado, por isso a doença vem em surtos esporádicos, atingindo vários animais de determinada área.
Antigamente, digo até uns 5 anos atrás, esta doença era conhecida como ‘tosse dos canis’, pois limitava-se a contaminar animais confinados, que transmitiam-se uns aos outros através dos aerossóis da tosse e espirros. Hoje, deveria se chamar ‘tosse dos bairros’, pois sua abrangência tornou-se bem maior. Por exemplo, no momento temos um foco no Centro e outro em Manguinhos, bairros de Armação dos Búzios. Porém, por existirem casos isolados, sabe-se que a transmissão não é obrigatória, e muitas vezes, está diretamente ligada às condições imunológicas do animal. Por exemplo, um animal portador de uma doença imunossupressora qualquer (ex. Erlichiose), adquire a traqueobronquite com muito mais facilidade e intensidade. Neste caso, ela pode até sinalizar algo mais grave.

Existe tratamento para a traqueobronquite. Mas, tal qual uma gripe, com tratamento ou não, a doença persistirá em torno de dez dias. Porém, os medicamentos aliviam bastante os sintomas, que podem ser tão incômodos ao ponto de atrapalharem o apetite do animal. Mas o ideal mesmo é preveni-la com a vacina, que apesar de não ser 100%, funciona, e mesmo que o animal adquira a doença, a desenvolverá de forma atenuada. Vale à pena tentar. A partir dos 3 meses o animal poderá recebê-la.
Raças braquicéfalas, com o focinho achatado como boxers, pugs, bulldogs, e seus semelhantes sofrem muito com esta doença, pois já, por sua natureza não respiram muito bem, com tosse então, e muito pior. Essas são raças que devem dar certa prioridade a esta vacina.
Traqueobronquite não mata, mas incomoda bastante, não só ao cão, mas também a seus proprietários, que veem o sofrimento, que piora à noite e não deixa ninguém dormir. O animal que contraiu esta doença deve ser levado ao médico veterinário para que este faça um completo exame físico do cão, verificando assim se não seria uma outra coisa (ex. corpo estranho), se há alguma doença associada, e se serão necessários exames para confirmação, além da prescrição de medicamentos corretos e orientação para com o proprietário. E caso o seu animal não a tenha contraído ainda, verifique na sua carteira de vacinação se ele é vacinado. E se não é chegada a hora. Realmente vale à pena, até porque, o custo da vacina é muito menor que o tratamento.
A traqueobronquite é conhecida como ‘Gripe Canina’, e não é transmitida para seres humanos.

Até breve.

Colaborador: Lúcia Elena Simas

Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.