Atualizado em 26/08/2010 00:00:00
Estudo recente mostra que violência psicológica, negligência e agressões físicas contra crianças são muito mais frequentes do que o reportado pelos médicos em hospitais de emergência. Para falar sobre o delicado problema da violência na infância, a coluna desta semana recebe a autora da pesquisa, a pediatra Anna Tereza Soares de Moura, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Em entrevista a pediatra conta que a agressão psicológica se mostrou o tipo de violência mais comum na infância, situação que também é verificada por várias pesquisas em todo o mundo. Ela explica que essa é uma questão cultural e que gera graves problemas para a criança.
Para realizar a pesquisa, a pediatra entrevistou mães que procuraram hospitais de emergência com seus filhos. Ela fala sobre a abordagem usada, já que as mães são em geral as principais envolvidas na violência familiar contra a criança.
Moura destaca a importância do papel do médico e do serviço de saúde na identificação de casos de agressão psicológica, já que muitas vezes eles ocorrem simultaneamente à violência física e à negligência. Mas ela ressalta que o trabalho preventivo é mais importante do que o de identificação.
A pesquisadora cita ainda medidas para melhorar a situação da violência contra a criança no Brasil, entre elas, a notificação do caso ao Conselho Tutelar. Embora esta seja uma medida obrigatória, de modo geral menos de 1% de todas as agressões é reportado pelos médicos aos órgãos responsáveis.
Segundo Moura, uma das causas para esse silêncio é que a notificação ao Conselho Tutelar não é vista de forma positiva por profissionais de saúde e familiares e inicialmente é associada à repressão. Mas ela pondera: “A notificação é mais um instrumento para promover o que chamamos de bom-trato da criança.”
Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz
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