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Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 12/08/2010 00:00:00

Sinfonia inacabada

O Brasil nos dias de hoje já dá palpite em todos os problemas mundiais, no problema do Oriente Médio, na península coreana (já temos uma Embaixada em Pyongyang, capital da Coréia do Norte), problema nuclear, na política dos países andinos, e, faltando poucos meses para fim de seu mandato o Presidente Lula vira manchete internacional com a oferta de oferecer asilo à iraniana Sakoneh Ashtiani, sentenciada à morte por adultério e seria morta por apedrejamento,  mas passado a enforcamento. O Irã é acusado por vários lados de ser o país maldito, a tragédia da iraniana comove o mundo.
A oferta de Lula foi comentada pela imprensa internacional. Leitores dos jornais a criticaram ou elogiaram. Curiosa a carta de um norte-americano ao semanário inglês The Economist, que aqui traduzo: ‘Assim, se pode afirmar que o Irã é um país desumano por condenar uma mulher a ser apedrejada enquanto nós aqui nos Estados Unidos somos OK quando sentenciamos acusados à morte por esquadrão de fuzilamento, cadeira elétrica e injeção letal? Aqui também menores e retardados mentais são condenados à morte.  Os Estados Unidos são tão desumanos e cegos pela religião como o Irã. – Socorro. Lula, ajude-nos!’
A pena de morte foi abolida na quase totalidade  dos países, ou deixou de ser aplicada, China e Estados Unidos constituem exceção. A constituição brasileira dispõe sobre a pena de morte unicamente em tempos de guerra. Assim, não somos tão bonzinhos, pois a grande maioria dos países repele a pena de morte mesmo em caso de guerra. Apesar de ‘não matarás’ ser um ícone em todas as religiões do mundo, isso se aplica ao indivíduo somente, mas uma vez que seja considerado um ataque à própria sociedade a pena de morte, teoricamente ditada somente depois de um consenso, de um julgamento, seja civil ou tribunal religioso, é legal. Somente o Budismo é taxativo: não se pode tirar a vida de qualquer ser vivente, mesmo de uma mosca, ela e o mosquito têm o direito de morrer por velhice.  As religiões, em geral, aceitam a pena de morte, como a igreja católica, a ortodoxa, certas igrejas protestantes, a judia e o islamismo. Em países como Líbano, Israel e outros, não há lei civil e as relações são reguladas por tribunais religiosos, conforme a religião das partes.
A religião exerceu uma função determinante na sociedade humana durante toda a história. Centenas de milhares bruxos e bruxas foram queimados em fogueiras, outros tantos foram pendurados em forcas, crucificados, mortos na ‘roda’ por negarem ou não aceitarem  o Deus imposto pela autoridade. Um médico francês inventou a guilhotina para tornar a morte menos sofrida. Durante todos os séculos nada ou pouco mudou. Se pudesse haver um equilíbrio e  compreensão entre as religiões, a sociedade humana poderia desenvolver-se com menos problemas e mais paz.
 

Colaborador: Alfredo Rainho

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