Atualizado em 12/08/2010 00:00:00
Frei Betto, frei dominicano e escritor, autor de ‘Cartas da Prisão’
Relatório da ONU aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Aqui, temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe.
Mulheres, negros e indígenas são os mais afetados. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a R$ 54 por mês. Mas o percentual nessa faixa sobe para 10,6% em relação a índios e negros.
Nos últimos dez anos, o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações. O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade.
Nas eleições deste ano, votarão 135 milhões de brasileiros, dos quais, 53% não terminaram o Ensino Fundamental.
Há, sim, melhoras em nosso País. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos.
No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do Ipea, este índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do País. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.
Para reduzir a desigualdade, é urgente fazer reforma agrária e multiplicar mecanismos de transferência de renda como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.
Os programas de transferência de renda representam 20% do total da renda das famílias. Nos últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas.
O Brasil é rico, mas não é justo.
Colaborador: Redação
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