Região dos Lagos e Norte Fluminense

Jornal primeira hora Jornal primeira hora
Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 12/08/2010 00:00:00

Amigos, uma espécie em extinção

Por Eduardo Almeida, se você não puder ferrar o amigo, vai ferrar quem?

No meu livro eu digo que piores inimigos são os ‘azuis’ que além de vestirem a mesma farda que nós, ainda nos atacam pelas costas.

Pura realidade, se você falar mal do inimigo ou toma um soco na cara, ou então o cara te mete na Justiça.

Você pega um chequinho emprestado do inimigo? Claro que não. Primeiro, você não vai ter coragem de pedir, segundo, se pedir, vai receber um ‘não’ da pesada.

Então, você sacaneia quem com o chequinho emprestado? Claro, o amigo. É fácil ferrar o amigo. Você sabe que ele não vai te pegar, no máximo ele vai se queixar com terceiros amigos, e estes terceiros, por sua vez, vão ferrar os dois, você e o que te sacaneou. Você vai ser chamado de babaca por ter dado o chequinho para o outro, e do outro vão dizer que é um 171, um escroto.

Qual a lógica destas coisas tão estranhas, mas realidade pura? Qual de vocês não foi ferrado por um amigo, um parente?

E no ramal dos parentes os cunhados são os favoritos. Não sei se os cunhados sacaneiam o marido da irmã deles, pois ele está transando com a sua irmã, ou se na verdade ele queria ser cunhado do Bill Gates e não do merda que não tem grana, lancha no Iate Clube e ilha em Angra.

Mas se tivesse isso tudo, a bronca do cunhado seria pior ainda. Ele diria aos quatro ventos. ‘Meu cunhado é o máximo’. Pois assim começam as maledicências. Primeiro, elogiam dois minutos depois concluem: ele é ricão, mas também, pudera, ele é sócio daquela empresa que teve uma encrenca com a Federal, milhões de reais de sonegação, e dá uma risadinha sacana, e conclui: ‘assim é mole’. E aí mete bronca no cunhado que lhe proporciona jantares, fins de semana, reveillons em Búzios com champagne e o escambau. E aí o cunhado vai em cana e ele perde a mordomia que tinha.

Não consigo entender o por que desta deformação. A inveja do amigo como coisa básica na vida do cara. Eu acho que o meu mundo seria muito melhor se todos os meus amigos tivessem mais do que eu. Fossem todos ministros, industriais, banqueiros, intelectuais, e por aí vai.

Mas é justamente o oposto, os amigos acabam sendo mais negativos do que os outros, os indiferentes e os inimigos.

Os amigos por serem amigos, sabem da intimidade da vida do cara e ao falarem mal dele arrasam pesado, pois sabem de detalhes íntimos e por isso mesmo os amigos são os nossos inimigos mais perigosos.

Vejam as pesquisas do Ibope, por exemplo, muito mais importante do que a aprovação é a rejeição, e isto é coisa de amigo da onça, amigo Urso e outros amigos, talvez aqueles que esperavam uma coisa e receberam outra, esperavam ser isso e viraram aquilo, daí, a rejeição aumentando e os amigos sumindo. Fiquem espertos e vocês, ‘amigos’ políticos se cuidem, o Ministério da Saúde adverte, rejeição acima de 70% dá doenças mentais e físicas inalteráveis. É como a lei da física: a deformação leve é momentânea. A deformação continuada é ‘permanente’. Sejam amigo do ‘povo’. Trabalhem para o ‘povo’, vivam para o ‘povo’ e aí até mesmo com amigos marmotas vocês estarão na Paz do Senhor.

Eu peço a meus amigos que não me contem segredos dos seus negócios e da sua família, especialmente de suas mulheres. Contam para mim e para o resto do mundo também. Depois dá merda e eu fico no meio da fofoca. Eu acho que a principal missão do amigo é ouvir e falar o necessário, falar demais e para terceiros não é coisa de amigos, é coisa para canalhas e fofoqueiros.

A continuar essa maneira de ser, em pouco tempo amigo será um espécime em extinção.

Colaborador: Eduardo Almeida

Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.