Atualizado em 12/08/2010 00:00:00
Livre-se desta cola emocional Na língua portuguesa, a palavra apego tem até um sentido positivo. Ele é tão apegado à família..., se diz. Já o contrário, o desapego, é malvisto: ‘ele é completamente desapegado, não liga para nada...’ Mas o apego, na linguagem cristã e budista, tem outro significado. É algo opressivo, que nos asfixia e aprisiona. ‘Apego é o maior sinônimo de sofrimento e sua maior causa, sintetiza Buda’. Como perceber se estamos apegados a algo
Desapegar-se é soltar-se do laço que nos sufoca. Algo que traz alívio interno, paz de espírito, uma alegria que relaxa. O problema é que não percebemos que existe o laço. Pensamos que não podemos viver sem algo que na verdade é uma grande fonte de angústia. Apego é atribuir exagerada importância a um objeto, uma situação ou uma pessoa. Em outras palavras: apego não é uma manifestação de amor, mas de posse, um desejo incontrolável de conservar algo para sempre.
Tudo muda o tempo todo
Sofremos só de pensar em nos desapegar de algo, ficamos dependentes, vulneráveis. Nem percebemos que somos nós mesmos que atribuímos tantas qualidades e valores àquilo que nos prende, exagerando sua real importância. E fazemos isso, tanto com as pessoas a quem queremos como também com aquelas a quem odiamos. É mais fácil até nos apegarmos às emoções negativas do que às boas memórias. Podemos ficar anos remoendo algo que alguém disse e nos magoou.
As filosofias orientais reconhecem que somos uma coleção ambulante de apegos: aos nossos hábitos, às nossas pequenas manias, ao que consideramos certo e errado, ao que achamos que somos, ao ego. Simplesmente nos recusamos a mudar até que a vida dê um jeito de nos obrigar a fazer isso.
Cola emocional
Todo mundo já ouviu alguém dizer: ‘Sou tão desapegado, para mim nada tem valor...’ Nada mais falso. Desapego nada tem a ver com indiferença. É uma ilusão acreditar que o desapego é apenas uma renúncia aos bens materiais. O verdadeiro desapego é renunciar à cola que nos gruda a objetos, situações e pessoas. Podemos usufruir de tudo isso, mas sem se grudar ou se deixar aprisionar. Desapegar-se, portanto, não significa abdicar dos prazeres – ter uma casa nova, usar um belo vestido, saborear uma refeição deliciosa ou mesmo se apaixonar intensamente por alguém. Podemos ter o que quisermos, mas sabendo que também podemos abrir mão de tudo, se necessário.
Falso desapego
O falso desapego, aquele que nos faz desistir da vida e dos outros, pode esconder uma raiva profunda, um sentimento de impotência e injustiça. Nesse caso, o rótulo de desapego serve apenas como desculpa para encobrir dificuldades com o lado concreto da vida. O raciocínio é simples: já que não consigo ter os bens que desejo, renuncio a tê-los. Ou melhor, penso que desisto. Na verdade, o desejo continua existindo, só que reprimido, sufocado, gerando frustração. O falso desapego também pode ser usado como uma máscara para a arrogância. Nesse caso, as pessoas se vangloriam de sua própria condição espiritual: se julgam desapegadas, como se fossem mártires. Pode até se transformar num instrumento para manipular e influenciar os outros.
Oito passos para soltar as amarras do apego
1. Medite em que situações você se sente preso, asfixiado.
2. Reconheça seu apego. Essa consciência é vital para a mudança.
3. Procure experimentar pequenas ações de desapego. Doe objetos, desista de uma mania.
4. Participe de uma campanha de solidariedade, ajude quem está precisando.
5. Imagine-se livre de seu objeto de apego e sinta-se feliz por conquistar a liberdade.
6. Veja o que pode mudar em sua vida, sinta curiosidade por outras maneiras de viver.
7. Procure ajuda nos grupos espirituais ou de apoio psicológico, se necessário.
8. A meditação acalma a mente e essa tranquilidade é a base para livrar-se dos apegos.
O verdadeiro desapego é resultado da sabedoria, da compreensão do que é a vida. Aprendemos, por meio dos ensinamentos espirituais ou pelas nossas próprias experiências, que tudo nesse mundo é impermanente, que as coisas sempre mudam e se transformam.
Ficar grudado a situações, pessoas, sentimentos ou hábitos torna-se apenas fonte de dor, sofrimento e angústia. Compreender e aplicar esse princípio à vida nos liberta!
Luiz Gurivitz - Psicólogo sistêmico
Colaborador: Luiz Marcos Gurivitz
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