Atualizado em 05/08/2010 00:00:00
As camisas dos jogadores somente com as cores dos clubes, sem propaganda, é coisa do passado. Talvez mesmo os garotos de hoje não tenham a mínima idéia que no tempo de seus pais e avós a camisa dos jogadores do Fluminense, era mesmo tricolor, três cores, nenhum anúncio. Assim eram as camisas de todos os clubes, fáceis de identificar, a do Vasco preta, com a cruz de malta vermelha, a do Flamengo, bicolor, a do Botafogo de listas pretas e assim por diante. Cada um se identificava com seu clube e tinha orgulho de exibir a camisa.
O mundo mudou, tudo virou negócio, subvenção e interesses comerciais. É verdade que antigamente também os jogadores de futebol não recebiam fortunas, nem ficavam ricos. Alguns jogadores de tempos antigos, hoje velhos, até têm dificuldades financeiras. Havia mais elegância, mais respeito, e nunca se poderia imaginar escândalos como os que atualmente rodam diariamente na TV.
Não falo só de futebol, a todos os esportes. Não sei se ainda no cricket dos inglêses, aquele jogo sem sabor, também o merchandise entrou. Mas em quase tudo a palavra de ordem é o merchandise. Tudo muito triste, deselegante, e sem ética. O macacão do nosso piloto de Fórmula 1, Felipe Massa, virou uma fantasia de tantos anúncios, uns grandes e outros menores e até os pequeninos. Nos carros de corrida também, a pintura é de uma qualidade excepcional, de primeiríssima, mas por cima são quadrados, losangos, com propaganda de companhia, bancos, cigarros e produtos os mais variados.
Lembro-me do clássico Circuito da Gávea e do chamado Trampolim do Diabo, onze quilômetros partindo, se não me engano, na Gávea, da Rua Marquês de São Vicente, subindo, depois ao alto, descendo o Trampolim do Diabo, Barra, Avenida Niemeyer e Canal do Leblon. Hoje com a Rocinha totalmente ocupada a “pista” desapareceu. Eram ali as curvas famosas do “Tampolim do Diabo”. Os macacões dos pilotos eram brancos, normais, sem propaganda, como também não havia capacetes (ou gorros) com propaganda. Os carros pintados de uma única cor, conforme a nacionalidade da escuderia e do piloto, carro e piloto sempre do mesmo país. Amarelo era a cor dos carros de corrida brasileiros, como a de Irineu Correia, vermelho da Itália, branco da Alemanha, verde da Inglaterra e azul da França. O Auto-Union de Hans Stuck era branco, Pintacuda pilotava um vermelho.
Os fãs dos clubes hoje em dia exibem camisas pintadas de anúncios de laboratórios farmacêuticos, companhias de petróleo, bancos, planos de saúde e tudo mais. Tudo feio, sem classe. Na Copa não havia anúncios nas camisas, menos mal. Os interesses comerciais penetram em tudo, o dinheiro é que manda.
A triste cena de Felipe Massa recebendo pelo rádio ordem para deixar o espanhol Fernando Alonso ultrapassá-lo ou Rubinho quase parando o monoposto vermelho para que o alemão Schumi recebesse a bandeirada, em 2002, não podia ocorrer nas corridas de antigamente. (A belíssima ultrapassagem do brasileiro sobre o alemão na corrida da Hungria mostrou a garra de Rubinho). Comunicação por rádio com o piloto não existia, rádio mesmo ficava só em cima de um móvel, na sala de jantar.
PS – Parabéns a Rubinho pela belíssima ultrapassagem sobre o alemão na corrida da Hungria.
Colaborador: Alfredo Rainho
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