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Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 05/08/2010 00:00:00

Trina e Alegoria

Marcos Bayer é advogado e jornalista, membro da Academia de Letras de Santa Catarina e do Conselho Consultivo da Fundação Bem Te Vi com mestrado em Administração Pública na Universidade Sul da Califórinia, e pós-graduação na Universidade de Kent at Canterbury na Inglaterra

Não tenho nenhuma formação teológica para escrever sobre o tema. Apenas o aprendizado em colégios jesuíta e salesiano. Afora isto, algumas leituras e observações. Nada mais...
No entanto, revendo uma das edições do clássico ‘O Poderoso
Chefão’, filme de Francis Ford Coppola, com Al Pacino na condição de protagonista, sobre a máfia, refleti.
Sabemos que há um Deus/Natureza, que cria e molda as diferentes formas de vida. Que há o Espírito, que preside a vida de cada um de nós. E, finalmente, um Filho, Jesus Cristo, um exemplo, para muitos, de conduta humana. Esta é a síntese da Igreja Católica, uma das religiões dos humanos: A Santíssima Trindade.
Não quero discutir e nem posso, a validade da Trina. Mas, sua alegoria.
Nenhuma outra religião tem tanta força e criativa simbologia, quanto o catolicismo.
Ao longo dos séculos, os prédios das igrejas católicas, verdadeiras maravilhas arquitetônicas, proliferam pelo mundo. Obras de arte, como esculturas, pinturas, livros, filmes, cânticos e músicas.
Da Capela Sistina em Roma a Notre Dame em Paris, passando pela Catedral em Brasília de Oscar Niemayer.
De Leonardo da Vinci a Caravaggio. Da Bíblia a peça teatral Jesus Christ Superstar...
Como pode uma seita ter uma alegoria tão marcante e numa escala
planetária?
É o exemplo de vida, pouco conhecida, do Filho de Deus?
É um código de conduta bem elaborado? É uma organização eficiente e bem administrada? É o medo do pecado e da culpa? É a Santa Inquisição ou são As Cruzadas? Ou, ainda, as indulgências? O que faz do catolicismo e de sua Igreja a maior e mais criativa das alegorias da raça humana?
Não saberia explicar e se tentasse, teria inúmeras alternativas.
O que percebo é que o ser humano em geral e alguns em particular, têm uma capacidade fantástica para construir esta alegoria.
Pode ser um clip da cantora Madonna ou um filme do Pier Paolo Pasolini...
E o mais incrível é que a Igreja Católica tem uma explicação quase pueril para a origem do Homem. No entanto, paralelamente à sua criação, estabeleceu uma sanção para a desobediência. Logo, pecado e perdão são duas instituições basilares na mente humana.
No reino animal, na doma, não é o mesmo?
Ao acerto uma recompensa e ao desvio uma punição.
Teriam os organizadores da Santa Igreja observado o comportamento dos animais para moldarem a conduta dos homens?
Ou é apenas a força da alegoria?
 

Colaborador: Redação

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