Atualizado em 30/07/2010 00:00:00
Poder é sempre igual. Partidos políticos no nosso país com o poder fazem o que querem, passam por cima das regras e da ética. No plano internacional não é diferente, os países mais fortes querem mandar nos mais fracos, desrespeitam as regras e o direito internacional, estão acima de tudo. Mas, no fim, depois de certo tempo, as coisas escondidas pouco a pouco vêm à tona, são reveladas.
As ações mais vergonhosas da história são um dia descobertas e reveladas. Pode levar tempo. Antigamente tudo andava mais de vagar, mas hoje é mais rápido. O poder corroi. Um governo poderoso pode criar uma guerra artificialmente, inventam um problema, um ataque a um navio de guerra e acusam outro país. Foi assim no Vietnam. No caso da guerra no Iraque foi inventado que o país acumulava bombas nucleares e estava pronto a atacar países até 10.000 km de distância. Depois ficou provado que tudo era mentira.
Há dez anos um poderoso país fora atacado pela primeira vez em seu próprio território. Aviões comerciais são atirados contra altos edifícios da mais importante cidade do país, as Torres Gêmeas, de surpresa. Milhares de mortos, destruição de uma enorme área, custo elevado de vidas, não só de nacionais do país como de outro as nações, custo elevado de bens materiais. Ficou a sensação de incapacidade de defesa pela novidade e surpresa do ataque. E quem articulou toda essa destruição criminosa, que era o inimigo? Foi escolhido o Taliban, esse Taliban, muçulmano fanático, que controlava o Afeganistão, que expulsara os soviéticos de uma tentativa de conquista do território afegão.
Dez anos são decorridos. Muitas dúvidas foram levantadas sobre a eficiência da guerra por um grupo de países contra o inimigo meio misterioso chamado Taliban e uma misteriosa organização de nome Al Qaeda. Guerra não entre países, mas para limpar o Afeganistão de terroristas. Tudo confuso, pois os chamados terroristas também incluem nacionalistas, rebeldes em defesa de seu próprio país.
WikiLeak, organização particular, chefiada por um australiano de 38 anos, envia a três importantes jornais, um americano, um inglês e um alemão, volumoso dossier de 92.201 documentos confidenciais e secretos sobre as operações de guerra desse grupo de países na chamada guerra no Afeganistão. Abrangem ordens secretas de combate, operações contra civis, ataques inimigos, conversas com políticos, mensagens de embaixadas e a revelação de que o Taliban dispõe de armas sofisticadas como mísseis dirigidos pelo calor para o ataque de aviões. A destruição de uma aldeia afegã e matança de seus habitantes num dia de festa de casamento como ação contra terroristas. A famosa ‘KIA’ (Killed in action – morto em combate) se junta a ‘EKIA’, enemy killed in action, inimigo morto em combate) que, entretanto, não se aplicava somente ao Taliban armado, mas a todo civil do país. Muitas revelações eram conhecidas em parte, mas os documentos trazem informações mais completas, até então desconhecidas. Os governos afetados minimizam o dossier, alegando não incluir documentos super-secretos e que a divulgação não afeta a segurança nacional. Não é o caso, o impacto de que a WikiLeak pudesse trazer a público esses documentos demonstra seríssima falha da segurança. Além do mais o momento foi importante, cada vez aumenta a dúvida sobre a possibilidade de solução militar numa guerra que dia a dia cria mais desespero e desconfiança em toda a população do país, do Afeganistão e dos vizinhos, como o Paquistão.
A guerra no Afeganistão já custou muitas dezenas de bilhões de dólares, merece um mensalão.
Colaborador: Alfredo Rainho
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